A GAZETA 30 ANOS: A graça dos trinta anos de jornalismo – Jornal A Gazeta

A GAZETA 30 ANOS: A graça dos trinta anos de jornalismo

Quem é jornalista certamente já passou por situações hilárias na busca por uma boa reportagem. Momentos inusitados que depois viram cômicos. Boas histórias para contar nas horas em que a classe se reúne durante as pautas cotidianas. E agora vamos conferir algumas pérolas e lendas que correm na redação de A GAZETA. Afinal de contas, são 30 anos de vida. Histórias engraçadas é que não podem faltar:

O repórter e o diabo

Arquilau foi cobrir caso da mulher possuída em Brasileia
Arquilau foi cobrir caso da mulher possuída em Brasileia

O repórter cumpre o dever de levar a informação de forma compreensiva e imparcial até o leitor. São muitas as pautas e histórias com as quais esse profissional cruza, e algumas delas acabam o atingindo. Repórter também tem sentimentos. Ele se emociona com o personagem, fica revoltado com o descaso das autoridades, e, às vezes, até se assusta.

Foi algo assim que aconteceu com o desembargador aposentado Arquilau Melo. Há 28 anos, ele era repórter de A GAZETA. Certo dia, Silvio Martinello o deu uma missão: ir cobrir o caso da mulher que estava com o diabo no corpo, em Brasileia.

Arquilau comprou uma passagem para o município e “botou o pé na estrada”. Ele foi em um daqueles ônibus ‘corujão’, enfrentou muita lama nos piores trechos e só chegou lá à noite.

No local, o repórter percebeu que tinha algo muito estranho em volta da casa onde a mulher estava. Parecia cena do filme de terror ‘O Exorcista’. Talvez a mente dele estivesse aumentando a situação ou realmente aquilo estivesse acontecendo, Arquilau não sabe dizer até hoje. Mas, o que ele viu causou um grande transtorno.

“Isso aconteceu aproximadamente no ano de 1987. Vi coisas que me deixaram transtornado. A cama da mulher bagunçava sozinha, a casa tremia, fazia barulhos e ela falava com uma voz demoníaca. Eu fui entrevistar o diabo. Isso me deixou muito abalado, ao ponto de que adoeci”.

Arquilau saiu daquele lugar muito impressionado, tanto que chegou a acreditar que o diabo o acompanhava no ônibus de volta para Rio Branco.

“A mulher dizia que via o diabo em todo o lugar. Depois de presenciar a situação, também passei a vê-lo”.

Apesar de não estar nada bem, ele conta que cumpriu a tarefa dada. Chegou à redação e escreveu a matéria. A chamada era: “Mulher encara o diabo em Brasileia”.

Essa edição vendeu como nunca. Todos queriam saber do caso. A curiosidade alavancou o sucesso da matéria.

Depois de entregar o material, Arquilau foi ao hospital de Rio Branco. Lá, o médico o avaliou e deu o diagnóstico. O repórter estava em um alto nível de estresse. “Voltei transtornado e fui bater no hospital. Eu tive que tomar soro por três dias para superar. O diabo só saiu com soro”.

Em encontros atuais com os colegas de profissão da época, a história do diabo sempre rende boas risadas. Mas, mesmo anos depois, Arquilau relata a situação com certo temor na voz. Ele reafirma tudo o que viu e ouviu naquela noite e guarda essa como uma das muitas experiências vividas durante as reportagens de A GAZETA.

O jornalista ‘espião da ditadura’

Aparência do jornalista Elson Martins chamava atenção. (FOTO: ARQUIVO A GAZETA)
Aparência do jornalista Elson Martins chamava atenção. (FOTO: ARQUIVO A GAZETA)

Um dos fundadores do jornal A GAZETA, Elson Martins, tem um vasto repertório de boas histórias para contar. Quem o conhece sabe bem. Dentre elas, Elson se recorda bem do dia em que se aproximou mais dos seringueiros que estavam sofrendo ao serem expulsos das terras que habitavam há anos por grandes latifundiários. Uma época em que poucos ousavam procurá-los.
Mas foi uma aproximação tensa devido à uma certa confusão causada pelas aparências.

Elson Martins conta que foi a uma reunião, na década de 1970, do sindicato dos trabalhadores no Alto Acre. E lá, no meio de um grande almoço para vários seringueiros, estava o repórter, um homem branco e barbudo, com aparência de um forasteiro, vestido um pouco ‘melhor’, e andando pra lá e pra cá ouvindo um pouco de cada conversa deles. Elson estava totalmente deslocado em meio a tantos trabalhadores que se conheciam tão bem e tentavam fazer um encontro de confraternização. Foi quando começaram a suspeitar do jornalista.

Um perguntava ao outro, mas ninguém conseguia descobrir quem era aquela figura branca e ‘desenturmada’. Os sindicalistas chegaram a uma conclusão: só podia ser um espião, um agente de fora do Estado, a serviço do DOI/Codi  (órgão de controle do Exército nos tempos da ditadura). Todos ficaram receosos, até que decidiram abordar o sujeito. Elson deu aquela famosa risada de ‘papai noel’ e esclareceu a confusão. Disse que era apenas um jornalista. A parir daí, foram receptivos e ele não teve mais que se esgueirar para ouvir as conversas. Pode sentar e participar dos debates. E os seringueiros é que fizeram questão de contar o drama que viviam para Elson.

Mas, para quem quer espiar, já sabe! Jornalista é um ótimo disfarce.

O único inscrito que conseguiu perder
Esta o falecido diagramador do jornal, Ramiro Marcelo Bezerra Furtado, adorava contar. No ápice destas premiações jornalísticas que surgiram no Acre com o José Chalub Leite (promovido pelo Sindicato dos jornalistas/Sinjac), um certo alguém da Redação do jornal decidiu se inscrever, após sucessivas vitórias em anos anteriores. Nosso personagem inscreveu seu material e soube, uma semana antes do dia da premiação, que ele era o único inscrito em sua categoria.

Feliz da vida com o 14º garantido (ou seja, o dinheiro do prêmio), ele fez reformas na casa e gastou todo o dinheiro que ainda não tinha, para depois receber e pagar as compras. Ao chegar no dia do prêmio, para a sua felicidade, ele sondou que ainda era o único inscrito. Aquela já estava no papo. Mas na hora de anunciar o vencedor… veio o baque. Outro nome saiu. Alguém que de repente apareceu entre os inscritos (nos bastidores destes prêmios, sempre tem essas coisas).

Bom, nem precisa dizer que este ‘jornalista’ teve que trabalhar muito para pagar as dívidas.

A visão do jornal impresso pela geração tecnologia

Fátima diz que A GAZETA é um jornal completo; Ana Flávia teve incentivo da família para a leitura; Márcia Moreira destaca o diferencial do jornal impresso
Fátima diz que A GAZETA é um jornal completo; Ana Flávia teve incentivo da família para a leitura; Márcia Moreira destaca o diferencial do jornal impresso

BRENNA AMÂNCIO

Jovens e antenadas. As acadêmicas de jornalismo Ana Flávia Soares, 19 anos, Fátima Bandeira, 21 anos, e Márcia Moreira, 22, dominam bem a área de informação online. São internautas assíduas e frequentes nas redes sociais. Apesar de pertencerem à geração da tecnologia, elas concordam que o jornal impresso tem seu espaço e importância devido à linguagem diferenciada.

Ana Flávia, que atualmente estagia na assessoria de impressa da Embrapa, lembra como foi o seu primeiro contato com essa mídia. As memórias não a deixam mentir. “Eu sempre vi o jornal impresso através dos meus avós e pais. Desde pequena eu lia. E como eu trabalho na Embrapa, com pessoas da comunidade, do meio rural, descobrimos que o impresso é o jornal que eles têm acesso”.

As três acadêmicas perceberam que passar para o curso de Jornalismo é só o começo. Essa profissão tem vários rumos e especialidades. Mas todas elas já começaram a ter suas primeiras experiências com a área.

“Eu entrei no Jornalismo com o canal Futura, com um projeto de intercâmbio com jornalistas de várias cidades. Aqui no Acre veio um do Rio de Janeiro e outro da Inglaterra. Fizemos uma série de reportagens para o canal Futura. Depois disso entrei para a equipe do portal do governo e estou até hoje lá”, destaca Márcia Moreira.

Com Fátima não foi diferente. Ela aponta que já teve experiência em um grande portal de notícias da região e também com assessoria de imprensa.

Elas, assim como muitos outros estudantes, possuem curiosidades sobre o trabalho realizado com o jornal impresso. “Nós jovens, que temos o acesso à informação com o celular na mão sempre, às vezes, esquecemos disso. Algumas pessoas falam que vai acabar um dia, mas eu creio que não. O jornal impresso, ele tem a sua importância e sempre vai ter. Por incrível que pareça, tem gente que ainda não tem contato com a tecnologia. E é como o Elson Martins sempre me diz, que não podemos esquecer o impresso. O impresso chega aonde a tecnologia não chega. Ele fica documentado. Se eu deixar, todos os dias ele me diz isso, para eu não esquecer de ler o jornal impresso. Antes eu pensava diferente. Agora eu entendo que o jornal tem o seu espaço”, revela.

Fátima Bandeira concorda com a colega. Sabe que a tecnologia, apesar de ter avançado muito nos últimos anos, ainda não é acessível a todos. Além disso, ela destaca a qualidade do jornal impresso. “Eu leio o jornal A GAZETA. O que mais gosto é a parte de opinião. O jornal A GAZETA foi o que sempre tive mais contato. O meu avô comprava todos os dias. Dos cinco jornais impressos que circulam em Rio Branco, para mim o A GAZETA é o mais completo. Eu adoraria conhecer como é trabalhar nesse ramo, afinal, é uma linguagem diferente”.

Mesmo com o curso em andamento, a vontade de participar de diferentes mídias foi aberta. E Márcia Moreira já sabe o que quer para o futuro. “A GAZETA tem uma bela história. Com certeza, eu quero passar lá um dia, nem que seja para um intercâmbio de conhecimento”.

A pequena repórter pisoteada
Certa vez, uma repórter pequena no tamanho, mas grande nas ideias – e que por isso hoje ela é até deputada – estava começando no jornalismo e recebeu uma missão de seu editor, que exigia responsabilidade. Ela deveria cobrir a posse do governador Edmundo Pinto. Pauta para um jornalista, leitor, é igual missão para um policial do Bope. Quando ela é dada, tem que ser cumprida. E lá foi a pequena repórter atrás de fazer a melhor cobertura.

Talvez muitos não se lembrem, mas posses e comícios de políticos há 20 anos eram como um verdadeiro show.

Uma grande muvuca se formou no Palácio Rio Branco. Muita gente queria chegar até o governador eleito, enquanto a pequenina repórter tentava abrir caminho no meio da multidão para ver melhor a posse e talvez, quem sabe, até arrancar aquela exclusiva.

Só que todo mundo conhece a lei da Física que diz que 2 corpos não podem ocupar o mesmo espaço. E sabem melhor ainda que no meio da confusão de um grande evento os mais baixos não veem nada. E pior: no meio de um empurra- empurra feroz, os mesmos baixinhos acabam levando a pior. Com a repórter não poderia ser diferente. Ávida para cumprir sua primeira grande pauta, ela caiu enquanto tentava cortar a multidão e acabou levando pisões. Teve de ser levada de ambulância para um hospital. E acredite, leitor, em um tempo onde a máquina que reinava era a Olivetti, longe da praticidade do notebook, escrever de um hospital era impossível.

A pequena repórter perdeu a pauta, se machucou toda e ainda pegou bronca do editor. Isso sim que é ter um dia difícil!

O espertinho!
Certa vez, a uns sete anos atrás, um repórter de A GAZETA viajou durante dias na estrada e de barco até um local distante, bem no coração da selva acreana. Lá havia uma linda mata pouco desbravada pelo homem, e que serve até hoje como um imenso parque estadual no qual poucos agricultores, extrativistas e ribeirinhos vivem. E lá também mora um povo matuto por estar distante dos centros urbanos, mas que não deixa de ser abusado.

Lá havia uma escola rural para crianças iniciarem o começo da vida estudantil. Só que havia um problema: lá tinha apenas aquela escola de ensino fundamental, que ia só até a 4ª série. Daí pra frente, as crianças não tinham como seguir os estudos, a não ser que fossem pra longe de casa.

Diante da situação, o repórter quis entrevistar um dos alunos da 4ª série, um menininho com uns 10 anos, aparentemente. Quem pensa que criança é tímida diante de uma entrevista está 90% certo. A maioria é mesmo. Monossilábicas. Só que os 10% delas que não são, bom, essas valem muito a pena. E aquele garotinho estava neste grupo. O repórter conduziu suas perguntas normalmente ao garoto, que respondia meio tímido, até que chegou na grande questão:

“Então, quer dizer que a escola só vai até a 4ª série. Mas, e para vocês, o que vem depois da quarta?” Lógico que o jornalista estava perguntando o que as crianças faziam depois de se formar no fundamental. Mas acontece que crianças sempre são mais criativas do que isso!

De bate pronto, o menino respondeu: “A quinta”. De certa forma, ele tá certo. Garoto esperto!

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