A GAZETA 30 ANOS: Trinta anos num segundo – Jornal A Gazeta

A GAZETA 30 ANOS: Trinta anos num segundo

Raimundo Mendes é chargista e diagramador do jornal A GAZETA; mais conhecido como DIM NOSSAURO, ele também completa 30 anos de profissão
DIMDIM recortado
BRUNA LOPES

Não foi fácil, mas depois de muita adulação, o diagramador e chargista do jornal A GAZETA, Dim Mendes, topou falar sobre sua trajetória profissional.

Junto com o jornal, Dim comemora 30 anos de profissão.

Tido por muitos como patrimônio histórico de A GAZETA, Dim parece tímido, mas não se engane, ele está apenas se preparando para tirar um ‘sarro’ na primeira oportunidade que tiver. Confira a entrevista.

A GAZETA – Como surgiu a oportunidade de trabalhar aqui?
Dim Mendes- A  GAZETA surgiu da ideia de um   projeto alternativo.  Um semanário chamado REPIQUETE. Fui convidado pelos jornalistas Elson Martins e Silvio Martinello para integrar  a equipe como diagramador. Entrei no número dois. Depois de uns dois a três anos é que passou a diário e mudou o nome de REPIQUETE para A GAZETA DO ACRE depois,  mudou de novo para A GAZETA por questões de direitos autorais.

A GAZETA – Sempre foi diagramador e chargista? Quais outras funções você desempenhou?
Dim Mendes- Eu tentei ser escriba, mas fui digitar  uma missa convite e, ao invés de grafar “significante perca”,  eu grafei “ insignificante perca”. Foi o fim do meu sonho. Aí só me restava diagramar ou fazer charge. Faço os dois até hoje. Me dei bem. Sou famoso.

A GAZETA – Tem algum momento marcante vivido na redação?
Dim Mendes- Com trinta anos de carreira têm vários. Vou contar só um. Na época, o editor do jornal era o jornalista Mário Emílio Malachias. Tinha que chegar na redação aos sábados às 10h da manhã para diagramar o jornal. Tomei todas na sexta-feira e queria dormir mais um pouco. O Mário Emílio tinha um programa de entrevistas na 93FM e eu ouvi que ele estava entrevistando alguém. “Legal”, eu pensei, “posso dormir mais um pouco”. Antes da entrevista terminar ele anunciou: “não liguem para cá. Esse programa é gravado”. Isso já eram 11 horas. Não tomei nem banho.

A GAZETA – Como é para você acompanhar a evolução sofrida pelo jornal ao longo de 30 anos?
Dim Mendes- Jornalista ganha razoável, se diverte muito e fica famoso rapidinho. O mais importante na carreira é que ele faz história e vive a história. A GAZETA, no começo, passou por altos e baixos, porque ainda não era um jornal consolidado e eu vivi todas essas fases. A diagramação era feita na régua eu calculava os caracteres (as letras) e mandava para o compositor (digitador). Eu pensava que compositor era o cara que fazia música, mas em jornal tinha também. Pois bem, depois um outro profissional chamado paginador colava a matéria no espaço que eu indicava. Colava mesmo, com cola. No lugar da foto, era feito uma máscara com o estilete. Aí, outro profissional chamado fotolitador colocava a foto. Ufa!  Bendita revolução tecnológica.

A GAZETA – Tem alguma charge que você goste mais ou alguma que te marcou de alguma forma?
Dim Mendes- Na alagação de 1988, eu fiz a charge de um desabrigado com as duas mãos suspensas pra cima carregando uma botija de gás com água no peito. E a onda da água vinha trazendo para cima dele uma ruma de côco. Como ele não tinha como se defender, a única saída foi  ficar assoprando.

A GAZETA – Como é fazer uma arte ironizando alguém e no outro dia encontrar essa pessoa na rua? Qual a reação da pessoa?
Dim Mendes- No caso do nosso chefe Silvio Martinello, ele diria: “Tá demitido!”

A GAZETA – E a história das balsas?
Dim Mendes-  A GAZETA foi o primeiro jornal a soltar na edição do dia seguinte das eleições uma balsa, com todos os candidatos derrotados indo rumo à Manacaparu. Se tornou tradição na cidade. Passada a eleição, os leitores corriam cedo para as bancas comprar o jornal para ver a tal balsa. Foi invenção do Silvio Martinello fazer a caricatura dos derrotados. Me  deu um trabalhão. Saí de madrugada do jornal, mas, valeu a pena. É muito divertido fazer a balsa, as pessoas te dão ideias, imaginam coisas, riem. Acho que é essa balsa que vai me imortalizar na imprensa acreana.

A GAZETA – Qual momento mais feliz na empresa?
Dim Mendes- Quando foi publicada minha primeira charge.

A GAZETA- E o mais triste?
Dim Mendes- A morte de um amigo de trabalho.

A GAZETA – E a greve que o José Valle furou? Como foi?
Dim Mendes- Ensinei a ele o ofício de diagramador e fiz greve por melhores salários. O safado furou a greve e eu tive que voltar rapidinho.

Dim com o J. Edson editando a página de esportes;  ao fundo, a famosa Olivetti, o computador da época. (Foto: ARQUIVO A GAZETA)
Dim com o J. Edson editando a página de esportes;
ao fundo, a famosa Olivetti, o computador da época. (Foto: ARQUIVO A GAZETA)

Fã de carteirinha

O chargista e esposa com o governador;  ao fundo, na parede, a mini exposição. (Foto: Sergio Vale)
O chargista e esposa com o governador; ao fundo, na parede, a mini exposição. (Foto: Sergio Vale)

O governador Tião Viana mantém em seu gabinete uma espécie de galeriazinha de humor com as charges do diagramador Dim Mendes. São charges que retratam o mandato.

Fã de carteirinha, Tião acompanha o trabalho do artista desde a época em que o PT se firmou no Estado politicamente, principalmente das balsas para Manacapuru, que já virou tradição no Acre.

“Dim, você faz parte dessa história”, disse Tião Viana em uma visita feita pelo cartunista ao gabinete dele. Quem for ao gabinete, com certeza, sairá dali de bom humor, frisou o artista.

A política acreana através da charge e da caricatura
livro

Dim planeja para o próximo ano o lançamento do livro “A política acreana através da charge e da caricatura”. Trata-se de uma coletânea de charges publicadas no jornal A GAZETA durante a era PT para comemorar seus 30 anos do jornal e de profissão.

NÚMEROS:
Já foram publicadas aproximadamente 8 MIL charges nas edições do jornal

4 prêmios José Chalub  de Jornalismo na categoria charge

2 prêmios José Chalub Leite na categoria diagramação

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