A melhor parte de nós – Jornal A Gazeta

A melhor parte de nós

“O mundo é ruim. As pessoas não são boas. Elas se matam e destroem tudo o que é bom”. Você pode acreditar nisso. Aliás, pode até tornar esse o centro da sua filosofia de vida, como um tipo de mantra para puxar o pior de você e mostrá-lo ao mundo.

Não te julgo, nem te condeno por isso. De fato, as notícias que mais vemos ao abrir as páginas de jornais, acessar sites pelo seu smartphone/tablet/PC ou assistimos TV são de crimes, mortes e inúmeras outras atrocidades. Elas parecem que saltam aos nossos olhos. Ficamos limitados a absorver tantas coisas ruins – assim como uma esponja velha, pesada e enegrecida por tantas bactérias, fungos e líquidos apodrecidos – que chegamos ao ponto de perder a fé na humanidade.

Mas, quando tudo parece perdido, quando sua cota de notícia ruim atinge o ápice, eis que você se depara com uma gota de esperança no meio daquele mar de ódio, violência e crueldade. E, de repente, essa fagulha de bondade é capaz de despertar um incêndio de esperança que toma conta do seu ser, e te faz voltar a acreditar que nem tudo está perdido.

Essa é a sensação que sinto ao ver iniciativas solidárias, sem nenhum fim lucrativo ou proposta que não seja além a de fazer o bem ao próximo. Simplesmente estão de parabéns todas as pessoas por trás de projetos emocionantes como esse da Ação Sarah, que ocorreu ontem no Conjunto Laelia Alcântara, Rua Jerusalém, no bairro Calafate. Que Deus continue dando forças para que a mãe, Dejane Rodrigues, siga com este trabalho tão nobre de superação ao luto pela perda precoce da filha Sarah Faria. E nunca desista deste gesto lindo que tanto orgulharia sua pequena.

Parabéns também à família do pequeno Rafael Kawêh, de apenas 8 anos, que motivou a ideia de montar um cinema para crianças carentes de seu bairro, com nada além de um data show, um painel, algumas cadeiras, muita pipoca, refrigerante e a vontade de compartilhar a sua paixão pela sétima arte com quem não tinha condições para ver filmes pelas telonas.

Portanto, sempre que você pensar em desistir da bondade nas pessoas, lembre-se que nem todas são iguais. Nem todas são vis. Não use os exemplos ruins para justificar a sua crença no lado ruim das pessoas. Pelo contrário. Escolha acreditar no melhor da humanidade. E se espelhe em quem faz o mesmo para que, um dia, seu coração seja capaz de fazer igual.

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