Alunos da Ufac são premiados em congresso de cardiologia – Jornal A Gazeta

Alunos da Ufac são premiados em congresso de cardiologia

 

 Uma pesquisa da Universidade Federal do Acre (Ufac) foi destaque no concurso Melhor Tema Livre Pôster de Iniciação Científica do 72º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado entre os dias 3 e 5 deste mês, em São Paulo.

O reconhecimento máximo dado aos estudantes do 5º período do curso de Medicina, Eduardo Gollo e Victor Peixoto, sob orientação do professor Odilson Silvestre, deu-se graças ao estudo intitulado “Letalidade da Doença de Chagas Aguda Adquirida por Via Oral: Revisão Sistemática e Metanálise”, que também tem colaboração da professora da Ufac, Joicely Costa, e do professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Miguel Morita.

Para chegar ao primeiro lugar, o grupo deixou para trás mais de 600 trabalhos nacionais submetidos. Instituições com tradição em pesquisa cardiovascular, como a Universidade Federal de São Paulo, Hospital do Coração e Universidade Federal de Pernambuco participaram da disputa que consagrou a região Norte.

“Muitas vezes nós ficamos meio esquecidos pelas políticas nacionais de incentivo à pesquisa. Estar ao lado de instituições de prestígio científico e ainda trazer o prêmio de primeiro lugar é motivador”, afirma Eduardo. Ele teve a missão de defender o trabalho diante da banca examinadora, composta por jurados de São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe.

Victor Peixoto orgulha-se do trabalho. “Sabíamos que tínhamos feito um trabalho muito bom e de grande impacto. Trabalhamos bastante na metanálise e esperávamos o reconhecimento”, diz. “Diante das outras apresentações, deu para perceber que o nosso trabalho tinha maior relevância e aplicabilidade. O primeiro lugar foi merecido.”

O estudo – Eduardo Gollo teve sete minutos para resumir o trabalho, que consistiu em analisar e sumarizar os dados sobre a letalidade da doença de Chagas adquirida por via oral. O orientador da pesquisa, Odilson Silvestre, conta que houve uma mudança significativa na forma de contágio da doença nos últimos anos.

“A transmissão da doença de Chagas que se dava, principalmente, pela picada do besouro barbeiro passou a se dar, também, por via oral, com casos subindo na nossa região através da contaminação de alimentos como açaí, goiaba e cana-de-açúcar”, destaca. “A transmissão oral passou a ser, hoje, a principal forma de contágio.”

Além disso, ele relata que, embora essa incidência continue aumentando no Brasil, pouco se sabe sobre o prognóstico da doença. “Os principais estudos ainda se concentram sobre a forma vetorial da doença, que é aquela transmitida pela picada do barbeiro”, completa.

O estudo premiado, explica Silvestre, incluiu a busca sistemática de artigos sobre a doença de Chagas em quatro bases de dados científicos (PubMed, Embase, Google Scholar e Lilacs), publicados até 1 de julho. Também foram coletados dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e de bancos de dados cedidos por pesquisadores da área. Para a segunda etapa da pesquisa, a metanálise, foram selecionados 37 estudos, totalizando 1.560 pacientes (43 do Estado do Acre), com 79 óbitos registrados.

“Ganhamos o prêmio pela novidade e pela metodologia que ele apresenta. Os estudos que existem sobre a doença concentram-se no Pará, Amazonas, Venezuela e Colômbia, mas são estudos descritivos. Nós fomos além”, defende o professor. “O impacto da nossa pesquisa é poder informar quem está tratando esse tipo de doença a como agir frente a esse diagnóstico.”

FOTO/ ASCOM UFAC
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