Ao grande construtor – Jornal A Gazeta

Ao grande construtor

Hoje faz uma semana que o  perdemos. Como não foi  possível fazer naquele mesmo dia, 3 de setembro, o registro e o reconhecimento de parte, ao menos, da vida, obra e imensa contribuição desse homem extraordinário ao Acre, não posso deixar de fazê-lo ainda.

Ele nasceu em 12 de outubro de 1922 na cidade de Regemiliana, norte da Itália. Onde residiu com sua família até os treze anos de idade quando entrou para o Seminário dos Servos de Maria onde se formou. Foi ordenado padre em 26 de março de 1948, e desde então iniciou seu trabalho pastoral.

Na cidade de São Peregrino de Lácciore, ele teve sua primeira experiência como padre e pôde amadurecer sua vocação. E foi ali, também, que conheceu missionários que vinham para o Brasil e o convidaram para vir para o Acre.

Depois de 15 dias viajando a bordo de um navio aportou no Rio de Janeiro, em 27 de dezembro de 1949 e, pouco depois, em janeiro de 1950, chegava ao Acre por via aérea.

Nessa época, A igreja que funcionava em Rio Branco era a de São Sebastião, ali no Mercado Velho onde hoje é a Galeria Meta. A igrejinha era pequena para a quantidade de fiéis que começavam a crescer, desse modo, decidiram fazer a nova matriz. Assim, o Bispo Dom Matiolli providenciou a planta de uma igreja de Alexandra Catarina e já tinha até começado a escavação dos alicerces da Catedral de Rio Branco. Mas quando soube que o jovem recém chegado, padre André, tinha noções de arquitetura, Dom Júlio Matiolli lhe pediu que executasse as obras do novo templo.

Mas ele sempre foi um homem a frente de sua época. Assim, ao ver a planta da Catedral que estava sendo executada, e pensando no que viria a ser a cidade de Rio Branco, propôs outra planta com o dobro do tamanho, reproduzindo o estilo arqui-tetônico Romano Basilical, o que foi aceito pelo Bispo.

Homem dedicado seguia de perto as obras da nova Cátedra, acompanhava os operários e também as doações e arrecadações para o prosseguimento da obra. Com isso, a primeira etapa de construção da Catedral ficou pronta em meados de 1958. E padre André foi um dos sacerdotes que participaram da benção inaugural da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, além de ter sido agraciado com a responsabilidade de celebrar a primeira missa do novo templo.

Ajudou também nas construções do Colégio Nossa Senhora das Dores (atual Meta), do qual foi o primeiro diretor; do Colégio São José, da Igreja Imaculada Conceição, da Igreja de Xapuri, de Brasileia e de várias outras construções no mesmo período.

Depois de quase 70 anos dedicados ao Acre padre André dizia que, apesar de ser sacerdote, sua missão também sempre foi a de ser um cidadão que sonhava com um Acre próspero e bom para se viver. E ao falar da sua realização pessoal e da Catedral Nossa Senhora de Nazaré dizia: “… Hoje tenho um sentimento de satisfação… Sinto-me realizado, está tudo aqui, então isso é um motivo de grande satisfação!”.

Obrigado Frei André… Guardarei pra sempre comigo a satisfação de tê-lo conhecido pessoalmente e de ter entendido que mais do que igrejas e catedrais o senhor edificou uma vida e uma fé exemplar!

* Marcos Vinicius Neves

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