Apontando o dedo para o espelho

Postado em 10/12/2016 18:25:44 TIAGO MARTINELLO

Dia D contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, Chikungunya e Zika vírus. A ação é pontual para ajudar a vencermos esta guerra contra este mosquitinho tão pequeno, mas capaz de causar tantos problemas. Uma mobilização que reuniu agentes de endemias, de saúde, homens das forças armadas, bombeiros, e muito mais. No caso de Rio Branco, até ministro (da Cultura, Juca Ferreira), deu às caras por aqui.

O ponto mais positivo de ações como este dia é o envolvimento da população no combate. Se o que estamos traçando é uma guerra contra o Aedes, então, precisamos de ‘soldados’. Muitos deles. Um mosquito capaz de colocar milhares de cama, ‘dengosos’, precisa desta atenção para o enfrentamento. E de uma sociedade unida para detê-lo.

Só que diante da participação popular, fica um retrato implícito da hipocrisia de alguns.

Muita gente prefere se eximir da responsabilidade enquanto cidadão e dizer que na sua casa todo mundo pegou dengue, porque ‘o vizinho’ não fez sua parte. Ou porque o poder público deixou espaços urbanos ‘dando sopa’ para o Aedes.

Esta batalha contra o ‘Odiado do Egito’ – e do mundo inteiro – já passou do tempo de ficarmos estancados nas acusações hipócritas de ‘a culpa é do fulano’, ‘a culpa é do beltrano’. Responsabilizar as pessoas não vai nos livrar da picada maldita do Aedes. O que precisamos é olhar o problema com uma visão mais comunitária. Só a união pode nos ajudar.

De quem é a culpa não interessa em nada para o vetor da tríplice doença. O mosquito só quer é cumprir seu ciclo natural de vida. E nós é que viramos vítimas desta natureza dela. Perdemos, em parte, o posto de predadores no topo da cadeia alimentar para virar as presas.

O certo é que precisamos parar de apontar o dedo e começar a cuidar mais da limpeza de nossos lares. Se os outros não fazem sua parte, vamos chamar sua atenção. Só que para se cobrar uma coisa, primeiro precisamos ser exemplos nela.

Por fim, vale ressaltar uma velha máxima que os mais antigos diziam: quem muito tenta culpar os outros, sempre tem um pouco de culpa a esconder.

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