Avião da vida

Postado em 26/01/2017 00:33:24

Coração batendo forte, pensamento acelerado, mãos suadas, a perna não para de tremer, um nó na garganta, como se a qualquer momento você fosse parar de respirar e as vezes você para mesmo. Essa é uma combinação infernal. Alguns dizem que é ansiedade, outros alegam estresse e há que diga que é frescura mesmo.

Quem nunca passou por isso? Essa já foi uma realidade minha. Há tempos, eu sufocava em pensamentos de caos. Foi preciso uma mudança para me trazer o brilho no olhar novamente. Mas, o prazo de validade da mudança está vencendo de novo. E a combinação infernal voltou ao meu dia a dia. E eu sei onde tudo isso ia me levar.

Antes que tudo fugisse do controle, busquei ajuda. Estou em tratamento. Me policio o tempo inteiro. Sobre a minha respiração, sobre o horário de comer e manter afastado qualquer pensamento acelerado e destrutivo.

É uma luta diária. Nem sempre consigo. Mas, quando consigo o dia é bom. Consigo não me abater com as tristezas ao meu redor, não me afeto com a falta de competência ou interesse dos outros em relação as coisas comuns. Me preservo emocionalmente. Não é fácil. Digo ou teria que dizer não para alguém ou situação que vai me desrespeitar ou o meu tempo.

Admiro pessoas que tem esse discernimento desde muito novinhas. Eu não tive. Vou quer a aprender depois de velha, mesmo. E aceitar as consequências de escolhas erradas do passado.

Parei de conjugar o verbo na terceira pessoa. Eu preciso me conhecer e melhorar para fazer bem aos outros. Afinal, numa grande turbulência no avião colocamos a máscara de oxigênio em nós mesmos para depois colocar nas crianças.

Essa é uma regra básica de sobrevivência. Seja na família, no trabalho na vida a dois. Você tem que estar bem consigo mesmo para ser produtiva, sem morrer de trabalhar. E amar incondicionalmente, sem aprisionar o parceiro (a).

Mas, é bem mais prático, resolver e se preocupar com o outro. É uma forma de esconder a sua própria dor. No meu caso, eu tinha a inútil ideia de que alguém fizesse por mim, o que já fiz por, muitas vezes, alguém que não merecia.

A vida é uma relação de mão dupla, eu justificava. Hoje vejo que a vida é como um avião. Estamos a bordo impotentes as ações do tempo e espaço. Tem os momentos de turbulência e de calmaria. Perdemos pessoas, juntamos outras, mas nunca estamos só. E às vezes ele pode cair, mas na maior parte do tempo a paisagem é realmente de tirar o fôlego.

*Bruna Lopes é jornalista
jornalistabrunalopes@gmail.com

 

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