Caminho estreito – Jornal A Gazeta

Caminho estreito

A cada notícia de mortes fico convicta de que o Acre não é mais o mesmo e que o caminho para um futuro melhor será estreito. Indigna sim constatar que a violência é uma realidade.
O site G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou números sobre a situação atual do estado.
No período de 21 a 27 de agosto deste ano, o Acre registrou 10 mortes violentas. Todos os casos registrados no Acre são investigados como homicídios. Seis dessas mortes ocorreram na capital Rio Branco e o restante nos municípios de Acrelândia, Bujari e Xapuri.
Além disso, ainda há o crescimento iminente do narcotráfico, que é praticamente ignorado pelo governo federal.
No final de semana, indo visitar os meus pais no Segundo Distrito de Rio Branco, avistei um muro pichado com as iniciais CV, uma referência ao Comando Vermelho. Era um lugar que costumava ser pacato.
Os crimes estão evoluindo e nós, vítimas, estamos no meio dessa guerra entre facções. Isso não pode prosseguir.
Aprendemos a como não ser furtados ou assaltados. Ensinam-nos a como agir para evitar o estupro e a como proteger nossas casas de bandidos. Gradeamos janelas, portas, colocamos arames nos muros, câmeras de segurança e tudo o que o dinheiro é capaz de comprar atualmente, mas, ainda assim, nos sentimos nus diante ao perigo.
Outros estados sofrem também com a violência. É o caso do Rio de Janeiro, onde já foi registrada a morte de mais de cem policiais só este ano.
Há esperança quando vemos o investimento no quadro de policiais no Acre. Em poucos meses teremos mais agentes nas ruas. Mas a repressão não é tudo.
Caso as crianças continuem a crescer em famílias desestruturadas, com educação de baixa qualidade para se tornarem jovens sem oportunidade no mercado de trabalho, a fábrica do crime continuará.
Os legisladores precisam agir com sensibilidade para o problema real e deixar de lado essa necessidade compulsiva pela corrupção e o poder. Há muito que se mudar.
Enquanto isso, nós vamos continuar trancando nossas portas a sete chaves e orar pela nossa segurança e daqueles que amamos.

“Os legisladores precisam agir com sensibilidade para o problema real”

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