Câncer

Postado em 08/10/2016 18:45:46 Tiago Martinello

Há certos conhecimentos na vida que adquirimos apenas com a experiência. Quando criança, eu adorava o fogo. Achava ele lindo. Acolhedor para os meus espertos olhos infantis. Só que no dia em que toquei o vermelho-amarelo flamejante da ponta de uma vela, descobri que a beleza tinha um preço. E o preço era alto: queimaduras.

Mas também há certos tipos de conhecimentos que aprendi sem precisar me queimar. Sem viver a experiência na pele. É o famoso jargão dos que dizem ‘não preciso pegar câncer para saber que ele é extremamente ruim’. É sim. Acredito, sem sombra de dúvida, que junto com a corrupção imoral que assola o mundo, o câncer é o verdadeiro mal do século. É uma doença cruel, que mata pouco a pouco pela dor, deprime, é excruciante, tira as esperanças das pessoas e que não perdoa ninguém, seja bom ou seja mau. Todos estão sujeitos a ela.

O tipo de maldição que não desejo nem ao pior dos meus inimigos.

Graças a Deus, nunca tive sintoma algum cancerígeno e tampouco vivi o drama de ter alguma pessoa da minha família direta (pai, mãe, irmã e agora esposa) contrair esse mal. O contato mais perto do câncer que tive foi com um colega de trabalho, o Ramiro. Ele passou cerca de 3 anos trabalhando ao meu lado, na mesma ilha da Redação. Dia após dia. E foram muitos dias vendo-o, acompanhando sua vida pelas histórias da rotina. Era um bom homem. Tinha uma boa vida!
O câncer não se importou com nada disso quando o acometeu. Foi um choque rápido. Em um dia ele estava lá, conforme estivera várias vezes antes. Do mesmo jeito. No outro, Ramiro faltou porque não se sentia bem. Tinha tido fortes dores de cabeça. Ao sabermos sobre o câncer dele, todos de A GAZETA se deram conta na hora que aquele súbito momento ainda iria nos causar uma imensa dor por assistir a um colega do nosso dia-a-dia sofrer. Mas torcíamos do fundo do coração para ser só a agonia do sofrimento dele, e que a dor parasse por ali. Não parou.

Cerca de um ano depois, após lutar como pôde incansavelmente contra o seu câncer, Ramiro morreu. Nossa esperança se esvaiu e foi substituída pela dor do pesar.
Nos dias como espectador do câncer de Ramiro pude ver a debilidade física que a doença lhe deu. Sua mente, seu psicológico se mantiveram inabaláveis diante dos amigos, mesmo quando o corpo já fazia o contrário. Assim pude ver o quanto nos sentimos impotentes ao torcer pela cura de alguém com câncer. E o verdadeiro valor de cada dia saudável para quem já não os tem mais.

Descobri que o Acre tem pouquíssimas pessoas que se dispõem a doar medula óssea. E o pior: ninguém daqui nunca doou. Espero que esta realidade um dia mude. E que com histórias das vítimas desta doença nefasta, consigamos armar médicos com todo o arsenal necessário para não perdemos mais nesta guerra travada contra o mal da atualidade. As vezes a vida é engraçada. No começo, meu inimigo era o fogo. Pena que males maiores vieram.

editorial

Salvando vidas

 

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