Carta para a enteada – Jornal A Gazeta

Carta para a enteada

Minha princesa, o tempo passou. A criança encantada que brincava nos quintais e conversava com amigos invisíveis cresceu.

É adulta agora aquela que, sempre criativa, acordava e corria para os papéis, a reproduzir rapidamente e com muitas cores, antes de tomar o café da manhã para não correr o risco de esquecer, as pupilas cintilantes das heroínas do mundo dos seus sonhos.

Tornou-se uma mulher a menina que desenhava e costurava as roupinhas das bonecas – e não deu outra: foi estudar moda.

É um ser humano sensível aquela pessoinha tão digna, que se revoltava com as ordens e regras dos adultos: “Querem tirar a minha alegria!”.

Continua agudamente esperta a mocinha que tudo observava e sorria discretamente, quase que como se não tivesse presenciado certas cenas. E, quando menos se esperava, tóin!,com suas observações perspicazes e bem humoradas, com elegância invejável arriava um cascudo moral no coco de um desavisado.

Pequena, chamava-me de “boadrasta” e mexia nas minhas coisas escondido, até que entendi: queria ser minha amiga. E então, devagar, fomos nos aproximando.

Hoje você sabe que está no meu coração. E eu sei que estou no seu coração. Ainda, para tornar tudo mais belo, há quase 17 anos chegou o Antônio, que estabeleceu um elo também de sangue entre nós.

Agora você vai se casar. E, embora desejasse, minha querida, não poderei estar presente nesse evento tão especial.

Mas fico aqui na lonjura amazônica dando linha à imaginação: com afeto e esperança no peito, com tantas ideias e bom gosto, com o vestido que você mesma desenhou e costurou, pronta para viver o seu sonho, haverá de estar maravilhosa! Mesmo porque você é um escândalo de linda!

Então, que Deus abençoe essa união! Que a festa do enlace seja de muita alegria e harmonia! Que entre vocês sempre haja amor e respeito! Seja feliz, filhoquinha!

Onides Bonaccorsi Queiroz

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