Cláudio Porfiro – Página: 10 – Jornal A Gazeta
  • Alguma vaidade; orgulho comedido

    Escorreguei o corpo suado doído e dormi por sobre as raízes  da vaidade. É árvore frondosa e bela, travesseiro muito duro, posto que exige de todos e de cada um sempre e muitos dispêndios materiais, além daqueles que se relacionam à alma. Passaram-se horas a...

  • ARTIGO CLÁUDIO MOTTA: Dois raios de sol e meio palmo de lua

    PARA A GAZETA, NOS SEUS TRINTA ANOS DE VIDA PLENA Era preciso dormir pouco e sonhar bem mais. Todavia, em  muitas daquelas ocasiões de sol a pino, não era coerente sequer deixar-se dominar pelo sono e, por isso, os sonhos aconteciam mesmo enquanto acordados. Uma...

  • A modernidade do casamento entre os tendenciosos

    Sempre acreditei no que dizia o  padre velho casamenteiro e juiz  de paz da freguesia lá perto de casa. Segundo o pregador metido a doido, com quem trabalhei enquanto serventuário de cartório, o casamento é o fim do romance e o começo da história. O...

  • Monólogo para loucos que mordem

    Não vejo nenhuma utilidade em um errante extremado, reincidente há milênios, como tu, ó poeta bestial, ficar se atormentando com aquilo de ruim que já fez. O que de melhor pode acontecer é a emenda ficar bem pior que o soneto. Tudo poderá entortar de...

  • Reminiscências entre negrinhos e negrões

    Éramos um bando de negrinhos retintos, tisnados, tizius, bem mais acima de marrons, quase azuis. Íamos e vínhamos, de cá pra lá e de lá pra cá, quase incessantemente, do nascer ao por do sol, sim, porque à noite havia zoada de zabumba, sanfona e pandeiro....

  • A uma certa dama em saias plissadas, com carinho

    Naquele tempo, a ciência fazia zumbidos na cabeça do ser. Ele se fizera um cientista. As questões existenciais e de relacionamento entre as partes fustigavam a mente do pensador. As soluções para os problemas mais simples já não eram tão difíceis, na teoria, posto que,...

  • Lama poética descalça e nua

    Pela rua de pedrinhas de diamante para o meu amor passar, triste traste que vês em andança, coberto de andrajos rotos e amarfanhados, não demonstra de que mal sofre, nem que o torturem com avalanches de verdades sobre a cabeça torta de pedra… Eu te...

  • Mais uma entediante recomendação à venda

    De certa feita, eu já o encontrei numa pose de quem estava sentado a um banquinho, em frente ao mercado dos peixes, peito erguido, sobrancelhas curvadas, cabelos desgrenhados, bigodinho fino, com as roupas sempre repetidas do toureiro espanhol que nunca conseguiu ser; só que nada...

  • Remoendo dores e paixões avassaladoras

    Depois de tudo, ela se virou de  lado, na poltrona do avião,  remoeu velhos pensamentos e conseguiu fazer parar o cérebro latejante, por um segundo, para observar que, de tudo, não tinham sequer sobrado cinzas e muito menos chamas. Estava em meio ao caos dos condenados à...

  • Reminiscências tardias de um moleque do barulho

    Dedicado ao Motinha, meu irmão tricolor. Num daqueles dias de setembro, o peralvilho houvera ficado em casa com os demais da família, posto que o pai estivador fora ao trabalho estafante das subidas e descidas, barranco acima e abaixo, a transportar os produtos que chegavam...