Onides Bonaccosi / Sexta-feira – Página: 2 – Jornal A Gazeta
  • O ACREANO FRANCISCO GREGÓRIO

    Será um personagem? Ancião? Duende? Homem? Mago? Ou criança? Que criatura é essa, Francisco Gregório, eu gosto de me perguntar. E quanto mais me respondo, menos compreendo. E mais me divirto. Porque ele simplesmente não cabe em nenhuma das minhas caixinhas. O que, contraposto à...

  • O NOME DA SERPENTE

    Eis que a novidade se apresenta. Entra pelos olhos, pelos ouvidos, pelos poros. Percorre todas as vias internas, contagia as células. Então emerge o mal-estar. Uma sensação que parece ficar flutuando na semiconsciência, nauseante. E o desejo de não pensar mais no ocorrido. Mas a...

  • Tempo de menina-flor

    Se eu pudesse viveria de novo ao menos um daqueles dias no quintal da minha avó, no Maranhão, onde minha família passava as férias. Bem diferentes dos quintais de grama e canteiros do Sul, região onde eu vivia, os terreiros de lá tinham o chão...

  • AFAGO DE MÃE

    A goma de mandioca é sempre de produtores aqui do Acre, para fortalecer a economia local, feita de gente humilde e valorosa. Peneiro, com carinho, cinco colheres de sopa já sobre a frigideira, que tem um palmo de diâmetro. Com essa medida, a tapioca fica...

  • Elogio aos maduros

    Os muito verdes que me perdoem. Mas homem maduro é fundamental. Para ser vivido, não basta ter idade. É necessária uma percepção mais sofisticada da vida, o que só decorre da experiência. Que belas histórias de sabedoria podem narrar cabelos grisalhos. Quanta tarimba tantas vezes...

  • 35 ANOS SEM ELIS

    Ontem, 19 de janeiro, completaram-se 35 anos da morte de Elis Regina. Lembro-me bem daquele dia, em 1982. Foi de choque e tristeza imensa para o país. Elis, que impressionava cantando desde criança; que aos 11 anos já causava sensação na Rádio Farroupilha da sua...

  • CON AMORE

    O ano começou um tanto triste para nossa família. Aos quinze minutos do primeiro dia, deixou-nos Pasquale Bonaccorsi, o querido tio Lino. Era um homem absolutamente comum, e ainda assim extraordinário. Pelo seu caráter, sua afetividade e responsabilidade, demonstrados até o fim de seus dias....

  • O mistério do presépio

    Presépio: para mim, o mais expressivo entre os símbolos de Natal. Não perco oportunidades de conferir e apreciar. Já vi montagens espetaculares, de diferentes povos, inclusive não cristãos. Lembro-me de um italiano, que era todo devoção traduzida em fina porcelana. E alemães, imensos, cheios de...

  • EU E CURITIBA

    Conheço seus cheiros de inverno, suas delicadas fragrâncias de verão. Conheço seus ventos cortantes e as chuvas geladas. Aquele sol dolorido de inverno em céu de um azul profundo tão glacial que ameaça trincar. Bem particular senhora. Sei de sua têmpera, seus caprichos, suas virtudes....

  • As doces oferendas de Tia Custódia

    Agora me dei conta que seu nome significa “cuidado”. Tia Custódia era mesmo uma luminosa proteção! Receptiva, lépida, festiva, brincalhona. Morava no sul do Maranhão, como boa parte da minha família paterna, e era extremamente ligada à irmã, vovó Onides; por sua vez, terna, introspectiva...