Coluna Política Nacional – 06/12/2017 – Jornal A Gazeta

Coluna Política Nacional – 06/12/2017

Acordo de Morales contra drogas é hipocrisia
A visita de Evo Morales a Brasília só não foi inteiramente inútil porque, além de “filar” a boia no Itamaraty, ele assinou acordo de segurança que prevê, entre outras obviedades, cooperação contra o “tráfico ilícito de entorpecentes”, como se existisse um “tráfico lícito”. O acordo é uma hipocrisia: ignora o fato de a Bolívia produzir 80% da cocaína consumida no Brasil e nele não há qualquer compromisso do visitante em reduzir a produção da folha de coca, matéria-prima da droga.

Estratégia
Ideólogos da quase ditadura boliviana acham que cocaína ajuda a fragilizar “potências imperialistas”. Eles acham o Brasil “imperialista”.

País doente
Documento do Itamaraty, de 2007, avisava que a Bolívia de Morales prometia combater o narcotráfico, mas só valorizava a folha de coca.

À margem
A Bolívia sob o tacão de Evo Morales foi suspensa do Grupo Egmont, que reúne 105 países contra lavagem de dinheiro e o terrorismo.

Ops, foi mal
Com sua visita a Brasília, Morales acabou por reconhecer a legalidade e a legitimidade do governo Temer, após xingá-lo de “golpista”.

TCU descobre embaixador fantasma na UnB
A Secretaria de Fiscalização de Pessoal, do Tribunal de Conta da União (TCU), descobriu uma burla à lei que espantou até ministros e servidores mais experientes: o embaixador do Brasil em Praga (República Tcheca), Márcio Florêncio Nunes Cambraia, acumula seu salário, entre os mais altos do serviço público, com o de professor da Universidade de Brasília (UnB), da qual está afastado desde 1985.

Que coisa feia
O embaixador Cambraia esteve licenciado até junho de 2015, e recebe como se estivesse dando aulas a 9.600 km do seu local de trabalho.

Bem de grana
Cambraia recebe US$21 mil (R$67,8 mil) como embaixador, estima o TCU, e como professor embolsa R$10,7 mil mensais.

Expectativa
O caso do embaixador fantasma da UnB está com o rigoroso ministro Walton Alencar. A expectativa é de condenação contundente.

Um País de chatos
Grave ameaça à liberdade, a ditadura do “politicamente correto” gerou bandos de idiotas, inclusive na mídia, que não perdoam nem piada de discurso. Como a do ministro João Otávio de Noronha (STJ), ao brincar em um seminário que heterossexuais já são uma minoria sem direitos.

Sem dissidência
Apesar de o PMDB da Câmara haver fechado questão sobre a reforma da Previdência, não há unanimidade no partido. Mas o Planalto não quer correr riscos de perder um só voto do partido do presidente.

Desculpa fechada
O fechamento de questão não objetiva “punir” os que votarem contra a reforma da Previdência. E sim dar àqueles que temem reação de parte dos eleitores a desculpa de ter sido “obrigado a aprovar a reforma”.

PMDB sem moleza
A expulsão da senadora Kátia Abreu (TO) deu força à presidência de Romero Jucá. Quem não aceitar o fechamento de questão até para usá-la como desculpa, corre o risco de tomar pé na bunda do PMDB.

Coreia do Norte na Marinha
O jornalista, Renato Alves e a pesquisadora Marcelle Torres, da Escola de Guerra Naval, proferiram elogiadas palestras no Rio sobre a Coreia do Norte no Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha ontem. Alves deve lançar seu livro sobre o tema no influente think tank naval.

Exploração sem limite
Estão apavorados com o aumento de 61% nas mensalidades dos servidores que aderiram ao plano de saúde Geap. Servidor de nível médio com mais de 50 anos, vai pagar R$ 1,7 mil/mês, por exemplo.

Feriado gremista
O juiz de 1º grau de Vera Cruz (RS) resolveu adiar uma audiência de 12 de dezembro para 22 de janeiro. E botou a justificativa no despacho, orgulhosamente: a semifinal do Grêmio no torneio de Abu Dhabi.

Jango, 41
Há 41 anos, em 6 de dezembro, morria no interior da Argentina o ex-presidente deposto João Goulart, o Jango. A causa da morte tem sido alvo de questionamentos, inclusive da Comissão da Verdade.

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