Combate de ‘riosinho’ – Jornal A Gazeta

Combate de ‘riosinho’

Aos acreanos que visitarem La Paz, capital boliviana, vale a pena fazer um passeio para conhecer a ‘Plaza Riosinho’, localizada na região central da cidade. “La Plaza Riosinhollevaelnombre de uno de los combates más heroicos que tuvoBoliviaen defensa del Acre boliviano.”

Esse “Riosinho”, homenageado com nome de praça em La Paz, é o nosso conhecido Riozinho do Rola, um dos principais afluente do Rio Acre. Atualmente a confluência do Riozinho do Rola com o Rio Acre, nas proximidades do Lago do Amapá, é local de passeio e lazer de muitos moradores de Rio Branco.

O Combate de Riozinho aconteceu no dia 12 de dezembro de 1900 e aqui vai contado como descrito pelo Comandante em Chefe das tropas bolivianas, Coronel Ismael Montes. O mesmo Ismael Montes que, mais tarde, por duas oportunidades,foi Presidente da Bolívia.

Vale dizer que, embora explorado por seringalistas brasileiros, o Rio Acre naquela época era reconhecido pelo governo brasileirocomo um Rio Boliviano.Isso explica a presença, por essas bandas, de tropas regulares do Exército da Bolívia.

Conforme o relato do Cel. Ismael Montes, o ataque dos revoltosos Acreanos começou na madrugada de 12 de dezembro de 1900,menos de uma semana depois que as tropas bolivianas ocuparam a região da boca do Riozinho do Rola.

O primeiro choque aconteceu 1.500 metros antes do Riozinho, no encontro dos varadouros que vinham de Missão, Capatará, Benfica e Empresa. A figura que ilustra este artigo apresenta um desenho esquemático da disposição das tropas bolivianas.

Segundo as fontes, o numero dos envolvidos no combate seriam de 300 bolivianos do Batalhão Independência, entrincheirados, atacados por 120 acreanos chefiados pelo “Coronel” Antônio de Souza Braga.

O “Coronel” Antônio de Souza Braga era o seringalista proprietário do Benfica, do Nictheroy e do Riozinho e já havia sido Presidente do Estado Independente do Acre. Portanto, temos no Combate de Riozinho, frente a frente, o ex-presidente do Estado Independente do Acre (1900) e o futuro presidente da Bolívia (1904-1909) e (1913-1917).

Ainda sobre Antônio de Souza Braga, ele era sogro do Coronel João Rola. Foi nas terras de sua propriedade, a meio caminho entre a Boca do Riozinho e a sede do Benfica, que o Cel. Plácido de Castrosofreu a emboscada que o levou à morte.Na residência de João Rola e sua esposa Jocunda, no Benfica, faleceu o Cel. Plácido de Castroem 1908.
Posteriormente, em 1913, João de Oliveira Rola foi Intendente Municipal de Rio Branco.
No Combate de Riozinho, segundo os cálculos do Exército Boliviano, teriam sido disparados mais de 20.000 tiros, com as seguintes baixas do lado dos Bolivanos: Tenente Ernesto Crespo, Dr. Justiniano Cladera, Sargento Prudencio Gutiérrez e os Soldados Maximiliano Paredes, Rosendo Chávez e Francisco Mordago. Não foram citados os nomes, mas teriam sido 12 mortos do lado dos Acreanos e ainda dois bois feridos que foram carneados pelos Bolivianos.

A região do Riosinho, Riozinho ou Riozinho do Rola, nas margens do Rio Acre, foi palco de muitas histórias e sacrifícios de Bolivianos e Brasileiros. O Combate do Riozinho provocou a morte de combatentes de ambos os lados.

Em 1887 a colocação Flor do Ouro, entre Benfica e Riozinho, testemunhou a chegada do Cel. Labre e de Victor Mercierque, por varadouros, fizeram a pé a caminhada entre a margem esquerda do Rio Madre de Diosea margem direita do Rio Acre.

Nesta região está localizado o Cemitério do Benfica, onde por muitos anos ficou sepultado Plácido de Castro, até a transferência dos seus restos mortais para o Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre.

*Alceu Ranzi é paleontologista e professor aposentado da Universidade Federal do Acre.
**Evandro Ferreira é engenheiro agrônomo e pesquisador do INPA e do Parque Zoobotânico da UFAC.

 

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