CON AMORE

Postado em 05/01/2017 23:13:10

O ano começou um tanto triste para nossa família. Aos quinze minutos do primeiro dia, deixou-nos Pasquale Bonaccorsi, o querido tio Lino.
Era um homem absolutamente comum, e ainda assim extraordinário. Pelo seu caráter, sua afetividade e responsabilidade, demonstrados até o fim de seus dias. Amor, trabalho e dignidade foram marcas da sua vida.

Italiano, migrou para o Brasil na década de 1950. Na viagem de navio, tornou-se amigo de um senhor fundamental em sua trajetória: o futuro sogro. Do outro lado do mar, no Rio de Janeiro, esperava-o, sem saber, uma moça linda, por quem se encantou: Angela Michela Urago.

Aliás, sua atitude de respeito às mulheres de sua vida sempre foi notável, especialmente nestes tempos indelicados em que vivemos. Tio Lino foi afetuosamente reverente à mãe, eterno apaixonado pela esposa, cheio de ternura para com a filha, irmãs, netas e sobrinhas. Mas também aos sobrinhos nunca dispensou o beijo no rosto, mesmo depois de adultos.

Profissionalmente, desenvolveu a vida toda o ofício de torneiro mecânico, aprendido em sua pátria. Dedicado e meticuloso como era, posso apostar que era dos bons. Com muito esforço e a ajuda preciosa de sua Angela, com quem atravessou momentos difíceis que os imigrantes bem conhecem, ele ganhou o pão, manteve sua família, educou seus filhos e até construiu a casa dos seus sonhos, com o perfeccionismo e os detalhes que sua mente era capaz de engendrar. Ali recebia família e amigos cheio de alegria, humor, carinho e satisfação: “Con amore”, dizia.

Há coisa de dois meses, aos 86 anos, foi internado, com a saúde bastante abalada, na UTI de um hospital em Curitiba. Imagino que, fragilizado e no isolamento, entrou em reflexão profunda sobre sua vida, com seus humanos erros e acertos. Suponho que teve a chance de considerar a proximidade de sua despedida e de preparar-se para recebê-la. Ainda, transferido para o quarto, ganhou a oportunidade de passar mais um Natal junto à família. Presente da existência.

Sua biografia, tão singela e brilhante, me emociona. Só posso agradecer por nosso parentesco e seu exemplo. E choro mesmo, porque um homem de bem merece nossas lágrimas.

Mas, para encerrar esta homenagem, escolho a lembrança de um momento muito feliz que passamos juntos. O dia em que levei meu filho para que ele e a tia o conhecessem. Receberam-no como um netinho e, à mesa, o tio fez questão de lhe dar um pouco de vinho, lembrando-nos de nossas raízes italianas. Deixei de bom grado.

Por tudo isso, um brinde ao tio Lino!

Onides Bonaccorsi Queiroz

editorial

Armando palanque

 

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