Continua o desmonte do Estado brasileiro

Postado em 06/04/2017 23:16:48 Raimundo Angelim

Há poucos dias denunciei da tribuna da Câmara Federal o desmonte da rede de atendimento do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, com a previsão de demissão de 28 mil trabalhadores destas empresas e em se tratando do governo Temer, o que já é ruim sempre pode piorar, pois ficamos sabendo que o governo quer fechar milhares de agências dos Correios e implantar a chamada Distribuição Domiciliária Alternada – DDA, que é mais um nome pomposo para dizer que a entrega de correspondência não precisa mais ser diária, devendo se adequar ao planejamento da empresa.

Estamos assistindo a um verdadeiro desmonte do Estado Brasileiro, com consequências funestas para o cidadão, especialmente aqueles que vivem nas pequenas cidades, que estão em vias de ser literalmente abandonados pelos bancos públicos e pelos Correios. Estamos falando de uma empresa centenária, com missão social definida na Constituição Brasileira, com uma capilaridade de grande relevância para a integração nacional. Não estou falando apenas de uma entregadora de cartas, pois a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, atua em diversos ramos de serviços, inclusive serviços bancários.

O governo Temer está abandonando os municípios, deixando seus cidadãos à própria sorte. Primeiro os bancos, depois os Correios, o que mais virá pela frente? Vão acabar também com o SUS, e com a Educação Pública?

A exemplo do que vem acontecendo no Banco do Brasil e na Caixa Econômica, a ECT fala em implantar um programa de demissão voluntária, que pouco tem de voluntário, haja vista a enorme pressão psicológica que provoca nos funcionários elegíveis.

Não satisfeita em propor a redução da rede de atendimento e dos serviços dos Correios, a empresa anuncia também um ataque criminoso ao plano de saúde de seus trabalhadores, que são aqueles que recebem alguns dos menores salários das empresas públicas federais.

Na outra ponta do problema, os dirigentes da empresa e os cargos do alto escalão, nomeados segundo critérios de apadrinhamento político e recebendo altos salários, muitas vezes não condizentes com as necessidades técnicas da empresa, mantém contratos milionários de patrocínio de modalidades esportivas.

Como falar em dificuldades financeiras em uma empresa, que somente nos primeiros meses de 2017 já fechou contratos de patrocínio esportivo de mais de 16 milhões de reais e que paga aos seus dirigentes salários muito acima do teto constitucional, segundo dados divulgados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect).

Não tenho nada contra patrocinar o handebol e o “rugby”, como tem feito a empresa, mas não deixa de ser uma inversão de prioridades você anunciar demissão de funcionários e fechamento de agências, com sérios prejuízos para a população, e ao mesmo tempo gastar milhões de reais em patrocínios com retorno de imagem mais que duvidoso.

E o problema não se restringe apenas aos patrocínios e altos salários dos dirigentes. Além disso, a ECT repassou quase R$ 4 bilhões das reservas financeiras para a União, além do lucro já repassado, devolveu mais de R$ 2 bilhões para o Banco do Brasil numa operação muito estranha relacionada com o Banco Postal, gastou em torno de R$ 300 milhões, mais os altos salários, na criação de uma subsidiária, a CorreiosPar, gastou outros R$ 300 milhões de patrocínio nas olimpíadas do Rio de Janeiro, dentre outras operações que dão a entender que estamos, a exemplo do que vem acontecendo com os bancos públicos, diante de uma operação de desmonte da empresa para justificar sua privatização logo ali na frente.

Neste setor, como nos bancos, a privatização significa que as empresas só irão onde houver bons lucros, ficando em total abandono o cidadão do interior, daqueles estados com economias menos dinâmicas.

Por tudo isso, considero justas as reivindicações dos trabalhadores dos Correios: fidelização das postagens de todas as empresas públicas federais e estaduais nos Correios; criação de banco próprio; investimento em logística; investimento na qualidade de entrega; aporte dos 3,9 bilhões repassados para a união, acima do estabelecido legalmente; investimento na gestão de pessoal e na recuperação do ambiente interno de trabalho na Empresa.

O povo brasileiro conhece a importância do carteiro em nossa comunidade, trabalhadores que enfrentam diariamente as intempéries, os riscos das ruas, carregando pesados volumes e sofrendo com veículos sucateados, para levar até nossos lares as correspondências e encomendas de que necessitamos. Vamos nos levantar em defesa dos Correios.

Raimundo Angelim é professor, economista, ex-prefeito de Rio Branco e deputado federal (PT-AC)
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Email: dep.angelim@camara.leg.br

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