Convívio social – Jornal A Gazeta

Convívio social

“Há, ainda, para piorar essa convivência social, o fato da grave crise moral porque passa o homem da era Whatsapp”

 

Dia desses, em outro artiguete, asseverei: “o que se sequer e se pede aos homens e mulheres que vivem em sociedade, é um minimo de civilidade, de respeito mútuo, pois que somos parte do mesmo contexto político-social.”
No entanto, é inegável, o espírito egoísta, raiz de todos os males humanos, termina por falar mais alto em nossa alma, colocando em primeiro plano os nossos próprios interesses, como um fim em si mesmo. Então, a maioria que vive em socidade já perdeu o interesse, notadamente por aqueles que fazem parte da comunidade local e, o que é pior: pelo bem universal!
Além dessa boçalidade do convívio social, estamos todos, na condição de sociedade “organizada”, reféns dum sistema capitalista perverso, que nos humilha a todos. Paralelamente, o Estado, criado para organizar e por em prática um conjunto de funções sociais, incluindo manter a lei, a ordem e a estabilidade, resolver vários tipos de litígios através do sistema judiciário, encarregar-se da defesa comum e cuidar do bem-estar da população de maneiras que estão além dos meios do indivíduo, também é refém desse sistema bandido.
Por que é refém? Porque, é comandado ou dirigido por governos particulares de partidos políticos que tem donos, representados por pessoas sem escrúpulo, que “governam” com o fim de nos aprisionar ao sistema capitalista bandido, que privilegia uns poucos em detrimento de muitos, caso tipico do que acontece hoje com o Estado do Rio de Janeiro.
Assim, a vida em sociedade, no dizer do filósofo alemão Herbert Marcuse (1898-1979) tornou-se unidimensional. Sociedade unidimensional é aquela que gera o homem de uma só dimensão, onde não há oposição, dado o controle total do Estado. Pode ter atingido maior produtividade e tecnologia, mas a utiliza para perpetuar o trabalho e o esforço, criando a ilusão da liberdade.
Descendo a vala comum dessa realidade estúpida, que é viver em sociedade, não há como esconder o lado “trágico” do Estado. No Brasil, por exemplo, a maioria dos governos da federação, é e são insuficientes para atender e prover a demanda de serviços publicos essenciais que a massa social exige. Não é por falta de receitas tributárias que o poder público não atende essas demandas. O impostomêtro taí para amparar essa premissa. A propósito, a Receita Federal e os Estados, são gulosos em demasia. A maioria dos governos estaduais ultrapassou o limite máximo de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal- LRF. Apesar da “crise” foram poucos os governantes que reduziram gastos por meio de medidas permitidas pela legislação, como corte de funcionários não estáveis ou terceirizados e suspensão de novas contratações.
Há, ainda, para piorar essa convivência social, o fato simultâneo da grave crise moral porque passa o homem da era whatsapp. Em geral, todos os problemas que nos afligem são antes de qualquer coisa ou causa, de caráter moral. Essa moral distingue-se dos moralismos pelo seu objetivo de vida, de desenvolvimento das liberdades regradas, mas também, por sua vontade de consolidar um tecido social que, sem ela, é defeituoso.
O que dizer? Ou melhor, o que fazer?: De minha parte, quase no ocaso da vida, penso assim: Escolho o recolhimento como fundamento da ação. Dou a César o que de César e a Deus o que é de Deus. Esforço-me para fugir dos mitos modernos: riquezas e prazeres hedonistas; escapar do consumismo e da idolatria tecnológica. Abro mão do homem estético, luto para viver o homem ético. Almejo uma vida de eticidade, pois só assim serei, nesse convívio social estúpido, parcialmente LIVRE.

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