Cotidiano – Jornal A Gazeta

Cotidiano

Imaginem a cena. Um jovem trabalhador realiza suas atividades cotidianas com primor para que a noite, ele possa de dedicar um pouco a ele. Para extravasar as frustrações e aborrecimentos ele joga futebol com os amigos. São poucos, mas são bons. E independente de vencer ou perder as partidas, aquele momento ali compensa qualquer estresse que o dia tenha proporcionado ao jovem.

Na saída do local onde esteve por quase duas horas, o jovem procura sua motocicleta conquistada com tanto suor e trabalho. Ainda sem acreditar no pesadelo que ganhava força, o jovem constatou que o veículo havia sido levado por alguém mal-intencionado.

O aperto no peito impede de gritar e xingar os quatro ventos por ter sido premiado a incorporar as estatísticas dos furtos em Rio Branco. Depois de alguns minutos, a tristeza o abate.

Ele lembra da esposa grávida que está em casa e que a falta da moto será um problema a mais para administrar na semana que está apenas iniciando. Tantos pensamentos passam pela cabeça dele que nem percebe que a polícia demorou quase 40 minutos para chegar ao local e orienta-lo a procurar uma delegacia.

Imaginou? Mas, acredite, isso tem sido mais comum do que se imagina. Infelizmente, esse tem sido o cotidiano de muitos acreanos. Meliantes que usurpam carros, motos ou bicicletas. Furtam muitas vezes aquilo que é utilizado para o trabalho e os donos dificilmente recuperam seus bens.

O caso relatado no início desse texto, ocorreu há mais de uma semana e até o presente momento nenhum sinal da motocicleta. Ele cumpriu todo o rito que foi orientado pelas autoridades policiais. Mas, pude presenciar a ironia no olhar de quem atendeu o jovem na delegacia.

Sabe aquele olhar que diz ‘mais um’. Apesar disso, o atendente não foi mal-educado. Não tratou o jovem de forma ríspida. Mas, aquele olhar me deu a certeza de que pouco ou quase nada seria feito para recuperar o bem o jovem.

Ouvi uma frase que tem feito cada vez mais sentido em vários aspectos da minha vida ou na sua, caro leitor. “Adapte-se ou morra”. Essa era uma lei da selva. Mas, tem sido cada vez mais urbana!

BRUNA LOPES é jornalista
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