Cultura e futuro – Jornal A Gazeta

Cultura e futuro

Uma extraordinária obra de esperança foi criada por artistas e militantes do movimento cultural brasileiro.

O presidente interino Michel Temer extinguiu o Ministério da Cultura e, tendo também extinto qualquer representação feminina no seu ministério de notórios marmanjos da velha política, tentou dupla compensação convidando, uma atrás da outra, seis mulheres artistas para ocupar uma enfraquecida Secretaria de Cultura pendurada no Ministério da Educação. Recebeu seis negativas, uma atrás da outra, e assim as mulheres projetaram a resistência já sinalizada na posse do ministro da “Educação e Cultura”, Mendonça Filho, que passou o vexame de ser saudado no MEC como golpista por funcionários indignados com a extinção do MinC.

A resistência ganhou as ruas e ganhou tanta força, que fez o presidente interino voltar atrás, recriando o Ministério da Cultura. Alguém dirá: – isso não garante que Temer vai ter maior atenção com a Cultura. Certamente, não. Mas a resistência ao fim do MinC foi uma prova de que é preciso lutar pelas causas justas e pelas coisas certas.

O descaso com a Cultura foi apenas um sinal de forte motivação ideológica que volta a se manifestar na propostas que Temer encaminha ao Congresso Nacional acabando com as vinculações constitucionais, notada-mente dos gastos obrigatórios com Saúde e Educação.

O Governo Federal é obrigado a investir 18% de tudo que arrecada em Educação. Estados e municípios, 25%. Tal vinculação é resultado de muitos anos de debates, lutas e negociações políticas envolvendo amplamente a sociedade.

A desvinculação de Temer também desobriga a União de aplicar na Saúde ao menos o mesmo valor do ano anterior mais o percentual de variação do PIB (Produto Interno Bruto). Estados precisam aplicar 12% e municípios, 15%. Especialistas alertam que, sem essas garantias de receita, o SUS acaba brevemente.

Temer tem a pretensão que seu governo interino revogue conquistas construídas penosamente, durante anos, por toda a sociedade, como o SUS e a garantia constitucional de recursos para a Educação.

A resistência que salvou o Ministério da Cultura deve inspirar o Brasil a salvar também a Educação, a Saúde, enfim – o futuro do povo brasileiro.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
E-mail: giba@ciaselva.com.br

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