Cunha, réu e juiz

Postado em 08/06/2016 04:06:01 Gilberto Braga

Capitaneada por Eduardo Cunha, a Câmara Federal conseguiu encaminhar com urgência o impeachment da presidente da República e obter no Plenário, com folga, a dificílima maioria absoluta de dois terços dos votos de todos os seus 513 deputados.

Mas antes de Cunha admitir o impeachment, já corria no Conselho de Ética da Câmara um processo pedindo a cassação dele próprio. Ele até foi lá e disse: “não tenho contas no exterior!”. Mas logo foram reveladas suas contas milionários no exterior. E tantas outras coisas vieram à público, que finalmente o Supremo Tribunal Federal acabou afastando Cunha da Presidência da Câmara e do mandato, até para que ele parasse de obstruir o próprio processo.

Por incrível que pareça, a mesma Câmara que teve urgência para reunir todos os seus 513 deputados e garantir dois terços dos votos para aprovar o impeachment da presidente da República, até agora não conseguiu 11 votos entre 21 deputados de um Conselho para cassar Eduardo Cunha. Ele é uma caso indefensável de quebra de decoro, pois mentiu descaradamente no próprio Conselho de Ética. A justiça da sua cassação independe do rol de suspeitas, acusações, provas e “otrascositas más” que já o tornaram réu no STF. Sem contar o afastamento do mandato, dado em razão de outro fato gravíssimo que também configura quebra de decoro, o uso da Presidência da Casa para obstruçãoda Justiça.

Ontem o Conselho de Ética teve uma sessão que o Brasil esperava conclusiva. Mas ela acabou suspensa e restaram especulações de que se o parecer pela cassação fosse votado, teria sido derrotado por 11 votos a 9.

O presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR/BA) esclareceu que o relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), pediu tempo para analisar voto em separado do deputado José Carlos Bacelar (PR-BA), que se contenta em aplicar a Cunha uma mera suspensão – punição equivalente a um puxão de orelhas. E que também impede o processo de cassação seguir para o julgamento do mesmo Plenário que aprovou o impeachment da presidente da República.
De resto, Sua Excelência Eduardo Cunha veio a publico denunciar que, sem votos para cassá-lo, o Conselho adiou a votação por falta de ética.

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