Curiosidade doentia – Jornal A Gazeta

Curiosidade doentia

“Saiba peneirar o que entra
na sua vida. Proteja-se”

 

Não existe muita certeza nas redes sociais. Nunca sei, por exemplo, o que irei encontrar no Facebook. Há sempre uma treta nova, modinha atual, música sensação e vídeo viral. Alguns são bem inocentes e caem no gosto do povo. Outros, no entanto, são doentios e criminosos.
Ontem, o vídeo da decapitação da jovem Déborah Bessa, de 19 anos de idade, começou a circular nas redes sociais. No Facebook e no WhatsApp era oferecido a todo momento acesso fácil às imagens da morte dela.
Não faço parte desses grupos de notícia “policial” no WhatsApp já faz um tempo. Abandonei quando percebi que as informações eram mal apuradas e alimentadas por boatos quase sempre falsos. Portanto, não vi o vídeo.
E não veria essas imagens nem que caíssem na minha frente pelo simples fato de eu escolher não ver.
Os comentários de quem viu foram os mais variados e esses, por motivos de trabalho, eu tive a infelicidade de ler e ouvir. “Imagens fortes. Eu assisti e estou passando mal”, advertiu uma. “Esse é o destino de quem entra no crime”, julgou outro. “Quanta crueldade. Não consegui ver até o final”, afirmou alguém se sentindo menos errado por isso.
Após ser assassinada, Déborah Bessa passou dois dias desaparecida. A família só encontrou o corpo dela no dia 13 de janeiro. Apesar de toda a tristeza, aquela família finalmente poderia dar um enterro decente para ela. Apesar dos pesares, eles estavam em paz.
Contudo, nesta sexta-feira, 26, Déborah foi assassinada de novo e muitas e muitas vezes. A cada compartilhamento do vídeo da morte dela, era um golpe em seu corpo. E a família precisou passar pelo luto outra vez. Imagine a dor!
O que aconteceu com ela foi uma monstruosidade. Contudo, contribuir para a distribuição do vídeo de sua morte ou mesmo assisti-lo mostra o quão doentio está a curiosidade e a mente das pessoas.
Saiba peneirar o que entra na sua vida. Se puder, selecione o que for possível deixar de fora, o que assistir, ler, conhecer. Tendo a chance de escolher, não deixe que a maldade se aproxime e tome conta. Proteja-se.

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