Devaneios da democracia! – Jornal A Gazeta

Devaneios da democracia!

Hoje, debaixo do título em epígrafe, resolvo contrariar a minha veia pessimista , de não ter a capacidade ilusionista de transformar aquilo que é voraz, que subverte ou consome que corrói e destrói em poupança; de enxergar a violência, destruição e a matança braba, em litígio. Hoje, não vou filosofar sobre cataclismo moral. Não, hoje quero falar de devaneios, sonhos ou quimeras. Sonhos, próprios, de quem vive num país democrata!
O bom da democracia, muito além do fato, de que todos, indistintamente, podem mentir, é que podemos sonhar. Fantasiar, dentro da nossa imaginação, a expectativa utópica de que homens e mulheres de bem, inclui-se aí os políticos de hoje e os de amanhã, no Brasil do presente e do futuro, encontrem soluções singulares e definitivas para os problemas morais e políticos que afligem a nossa nação.
A democracia, em vigência no Brasil apesar dos pesares dos últimos acontecimentos políticos, permite esse olhar quimérico. Quimeras de que neste país de dimensões continentais, com suas diferenças e grandes desigualdades regionais, sejam desenvolvidas políticas públicas rigorosas e eficazes que atendam os anseios da sociedade. Sonhar com uma sociedade em que não existam a corrupção, a pobreza, a tirania e a guerra. Sei que parece miragem, mas é preciso continuar sonhando!
O meu sentimento quimérico é que possamos sair desse “gueto” vicioso de tão somente assumir compromissos históricos, através de discursos politicamente correto, uma vez que há, na prática, uma distância entre o sonho de uma sociedade perfeita e sua ilusória concretização. Chega de deslumbramento, do tipo: “estamos no topo da economia mundial”, quando todos sabem que, em economia mundial, esses dados são “flutuantes” e enganosos.
Sonhar, que o combate à fome e a miséria não se faça tão somente com ações sociais assistencialistas; que tenhamos medidas enérgicas no campo da economia, pois precisamos, como nação, da parte dos que dirigem este país, muito mais do que promessas descabidas, de atitudes sérias na condução da coisa pública. Porquanto, particularmente, aterroriza-me o facciosismo político, em especial o partidário, nas casas legislativas. Alias, o que mais se vê nos plenários legislativos, é inimizade, ódio e suspeita. Servem-se do poder para votar e aprovar subvenções públicas e abocanhar cargos de primeiro escalão.
Essas quimeras, só são possíveis num sistema democrático. Em sistemas totalitários, pode-se até sonhar, contudo sem esperança de liberdade de enunciação do pensamento por meio de gestos ou palavras escritas ou faladas.
Outra coisa boa da democracia, é que ela nos faz acreditar, na falácia, que o poder emana do povo. A propósito dessa máxima, o pensador George Bernard Shaw, perito em afirmações controvérsias, diz ou dizia que “a democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente”.
Mesmo assim, devemos sonhar com novos tempos em que os políticos dêem boas novas para o povo. Porquanto, é dever da política e seus mais dignos representantes apresentarem a política como à “arte de tornar os sonhos reais.” Ou será que “eles”, os que têm e estão no poder, desaprenderam a sonhar? Vivem, hoje, dos recorrentes apelos aos “novos” modelos de convívio e sobrevivência social! Demogógico, por sinal! Nesse caso, já que eles pararam de sonhar, sonhemos nós, os sem poder. O povo, que vive de esperança em esperança, sem fim, porque destituídos de poder, só pode mesmo sonhar com melhores dias.
Continuar sonhando, num mundo dominado por um sistema econômico perverso. Sonhar, ainda que seja uma “doce ilusão”, em ver mais probidade por parte dos congressistas, na condução dos destinos do País. Sonhar, ao mesmo tempo, para que o descaso público que se revela na “postura” de alguns senhores parlamentares, não se repitam nas entranhas do PODER constituído e, em especial no Congresso Nacional. É sonhar de mais?

 

“Em sistemas totalitários, pode-se
até sonhar, contudo sem esperança
de liberdade de enunciação do
pensamento por meio de gestos
ou palavras escritas ou faladas.”

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