Dezembro e seus fins de ciclo – II – Jornal A Gazeta

Dezembro e seus fins de ciclo – II

Recebi esta semana um e-mail de uma leitora me perguntando como conciliar a agenda do fim do ano sem enlouquecer.
“Tenho sobrevivido aos dezembros de minha vida com um misto de alegria e exaustão. Amo ir às festas das crianças: da escola, do inglês, da natação, do balé, do judô. Amo o amigo-secreto do trabalho, da família, das amigas. Amo pensar nas listas de presentes, de compras para o jantar do dia 24, no almoço do dia 25, no jantar do 31 e no almoço do dia 1o. Amo organizar as férias, minhas malas, as malas das crianças, reservar hotel e passagens. Mas só de pensar em tudo isso, enquanto trabalho, ajudo meu filho a estudar para as provas finais, administro os conflitos da equação marido/mãe/pai/irmãos/cunhados, e faço contas para não começar janeiro mais endividada que comecei o ano anterior. Meu desejo é dormir e acordar em fevereiro. Como faço para não estrangular o primeiro papai Noel que encontrar na minha frente?”

 

” Por que em dezembro aperta? Porque o que está em jogo é o fim de um ciclo”

 

A princípio, tive vontade de fazer companhia na missão estrangulamento (mentira!), de abraçar essa leitora, com quem me identifico profundamente, respirar e responder o básico. Mas não acredito que responder com os passos básicos da sobrevivência do fim de ano seja a melhor opção. Por três razões simples.
A primeira razão é que racionalizar não se aplica quando o que está em jogo são filhos, família e amigos.
A segunda razão é que talvez o que esteja em jogo não seja somente o trio filhos, família e amigos, empacotado com o trio falta de tempo, de paciência e, possivelmente, de recursos. Lidamos com eles o ano inteiro. Por que em dezembro aperta? Porque o que está em jogo é o fim de um ciclo, e tudo o que ele traz consigo: o atestado do que deu certo ou errado no ano que passou, o momento de se empossar dos desejos para o próximo ano de maneira que nos põe a anotar o que faremos daqui para frente, que nos convoca para o compromisso, que nos põe em contato com o medo de falhar.
A terceira razão é que falar desses passos como se fossem descomplicados seria mais do que injusto; seria desonesto. Estabelecer prioridades, pensar de forma simples, pedir ajuda, escolher as batalhas, manter a expectativa sob controle e se abrir para o novo são tarefas para lá de difíceis, missões não só para todos os meses do ano como para uma vida inteira.
O que posso responder para essa leitora, assim como para todas que me acompanharam em 2017, é que estamos juntas. Fiquemos juntas, tentemos juntas. Só não marco uma confraternização para abraçar cada uma porque… enfim, vocês sabem não é?

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