“Diálogos do Brasil na #COP21”

Postado em 04/12/2015 15:16:31

Enquanto o Brasil se debate entre tentativas de golpe e chantagens do Cunha, o mundo discute medidas efetivas pra conter o aquecimento global que ameaça a todos, nós inclusive, na COP 21. É uma pena que nós não consigamos separar o joio do trigo e continuemos reféns do noticiário centrado no mar de lama que assola o Congresso Nacional, ou da polícia que enfia a porrada todo dia nos estudantes paulistas que defendem, tão somente, o não fechamento das escolas onde estudam. É lamentável!

Da França vem um exemplo muito importante. Há pouquíssimo tempo, na sexta-feira 13 do mês passado, Paris sofreu um dos piores atentados terroristas de toda sua história. Seria natural esperar, portanto, que os franceses repudiassem a realização da COP 21, já que ainda precisam curar as feridas causadas pelo atentado. Mas não é isso que está acontecendo. Apesar da dor e tristeza causadas pelo terrorismo, a vida não para e a realização da cúpula sobre as mudanças climáticas tem grande importância para o futuro do planeta, nós incluso.

Mas, para a maior parte dos brasileiros, parece que a alta do preço dos combustíveis, o maquiavelismo do Cunha, a prisão do político x, y ou z, é muito mais importante. O problema está ai. Não estou dizendo que esses temas todos não sejam importantes, mas não são “mais” importantes do que o que está acontecendo esses dias em Paris. Portanto, precisamos superar esse abismo de descaso da opinião pública em relação às questões ambientais e climáticas, sob pena de vermos se repetir muitas e muitas vezes, não o mar de lama do congresso, mas o mar de lama de Mariana e suas vítimas.

Para romper, ao menos parcialmente, esse véu que nos impede a visão, a seguir, algumas atualizações da presença acreana na COP 21. Até porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, coordena em Paris a série de debates “Diálogos do Brasil na #COP21” com a presença de representantes de entidades nacionais e internacionais ligadas ao meio ambiente. O senador Jorge Viana, como vice-presidente do Senado Federal brasileiro, participa dessa agenda que integra a programação de eventos brasileiros na Cúpula do Clima, que ocorre até o fim da próxima semana na capital francesa. São debates que fortalecem o protagonismo do Brasil na definição de metas para redução das emissões de gases que causam o aquecimento global.

Nesta quinta-feira (3), foi realizado um encontro na Embaixada do Brasil na França com prefeitos de diversas cidades brasileiras para analisar políticas e questões ambientais do país. Entre os gestores presentes estavam os prefeitos de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e da cidade de Mariana, Duarte Júnior, que falou sobre o rompimento da barragem que está sendo considerado como um dos maiores desastres ambientais do país.

“A discussão girou em torno de como as cidades vão enfrentar esse processo de adaptação para viver a realidade das mudanças do clima no planeta”, explicou Viana.

À tarde, o encontro foi para discutir a implementação no Brasil das “Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas”, também conhecido como iNDC (sigla em inglês), que é um documento que contém o que cada país pretende fazer para reduzir e remover as emissões de gases do efeito estufa. O encontro contou com a presença do embaixador do Brasil nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo; do engenheiro e ambientalista Israel Klabin; do biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, que passou mais de meio século estudando a Floresta Amazônica, a vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), a brasileira Thelma Krug; e cientistas renomados de institutos de pesquisas ligados ao estudo das mudanças climáticas no mundo.

“Foi um debate de alto nível com a comunidade científica presente. Esses cientistas do IPCC são aqueles que têm a palavra oficial sobre o processo de mudança climática e fizeram uma apresentação sobre o iNDC do Brasil. Eles elogiaram os compromissos assumidos pelo governo brasileiro e o fato do nosso país já conseguir, hoje, uma redução nas emissões”, afirmou Jorge Viana.

A proposta brasileira é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030, através do fim do desmatamento ilegal na Amazônia, e da restauração e reflorestamento de áreas degradadas. Apesar de avanços, cientistas do IPCC que analisam o iNDC dos mais de 180 países que participam da COP-21 estão apreensivos.

“Segundo eles, mesmo somando todos os compromissos de redução assumidos pelos países, dificilmente não haverá um aumento de 3 graus na temperatura do planeta até 2050. Os países ricos não querem assumir o financiamento da redução das emissões dos países mais pobres. A situação é de alerta”, explica o vice-presidente do Senado.

Grupo Parlamentar Brasil/França
Também como parte da programação da COP-21, Jorge Viana participou de um café da manhã com parlamentares franceses. A agenda surgiu a partir de um convite de um grupo de senadores franceses e foi realizada na sede do Senado da França. Jorge Viana foi acompanhado do embaixador do Brasil na França, Paulo Campos.

“O grupo parlamentar Brasil-França, do qual faço parte, é presidido pelo senador do PSDB, Aloysio Nunes. Eu conversei com ele e vamos procurar colaborar para que no parlamento a gente fortaleça essa relação. Como agora está tendo o resultado da COP, que vai exigir que os governos de mais de 180 países, que assumiram compromisso de redução das emissões, adotem uma série de medidas nesse sentido, os parlamentos vão ter que alterar suas legislações para consolidarem um modelo mais sustentável”, declarou Jorge Viana que é autor de um projeto no Senado que torna obrigatório por lei os compromissos assumidos pelo Brasil de redução das emissões.

O vice-presidente do Senado gravou para a rádio França Internacional (RFI) sobre os eventos da COP e também sobre a atitude do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que acatou o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Fui duro nas críticas ao jogo do vale tudo que o Eduardo Cunha colocou. Ele agiu de maneira irresponsável. Confio que nossa constituição seja respeitada”, declarou Jorge Viana em entrevista à imprensa internacional.

* Marcos Vinicius Neves

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