É ‘passável’

Postado em 03/12/2016 17:39:18 TIAGO MARTINELLO

Nos afazeres da sua missão estudantil, o garoto senta pra escrever algo sobre a vida. O pedido do professor é que seja um texto tão autêntico que não pode ser repetido por um colega. Talvez uma ressalva, uma crítica, uma experiência, uma crença, uma reflexão, uma filosofia. Inúmeras são as possibilidades. E todas são aceitas para seu fim acadêmico. Não se trata de um grande desafio escolar, mas simplesmente uma tarefa de exigência básica da boa e velha escrita.

Entretanto, somente dizer que um garoto tinha uma tarefa e que ele sentou em seu quarto e a resolveu não é assunto suficiente para uma crônica em um jornal de domingo. Isso não ‘vende’. Não é o bastante para chamar a atenção de ninguém.

Por tal razão, a saga do garoto não terminou ainda. Ele queria se sobressair. Queria um trabalho digno de ganhar uma estrelinha, ou pelo menos um reconhecimento público do professor. E, se nada disso acontecesse, uma supervalorizada nota 10 estaria de bom tamanho. Não podia ser tão fácil. Não podia ser qualquer texto, qualquer tema. Tinha que ser algo diferente. Incomum.

Mesmo diante de tantas possibilidades, o garoto pensou – e pensou – sobre o que escrever e… nada. Nenhuma linha surgia. Nenhuma ideia ou pensamento de sua cabeça ganhava força suficiente para irromper em seus dedos e ganhar as linhas de seu caderno.

Ele estava travado.

Cansado da indecisão de não saber o se ‘grande tema’, o garoto largou tudo e foi brincar. E enquanto ela se divertia com seu celular/ tablet, suas mídias sociais, seu jogos e seu vídeo game, seguido depois daquela volta no shopping (já que isso é diversão de criança hoje), muita coisa acontecia no mundo à sua volta. Mazelas sociais, crises econômicas, dramas sociais, injustiças humanas, transgressões de direitos fundamentais, incertezas políticas, golpes, e muito mais.

No fim da noite, quando pegou umas broncas dos pais por não ter feito o trabalho, o garoto voltou pro quarto e escreveu quaisquer primeiras linhas sobre ser forçado a fazer o dever de casa. Saiu um texto, de certa forma, original e pelo menos isso se destacou. O garoto não tirou o 10 que tanto queria, mas conseguiu passar com um modesto 7. E, mais uma vez, fez valer na sua trajetória estudantil que não é preciso bater cabeça tentando entender a complexidade dessa sociedade em que nós vivemos para ganhar aquele ‘7 passável’.

editorial

Armando palanque

 

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