Egoísmo humano! (Reflexões filosóficas) – Jornal A Gazeta

Egoísmo humano! (Reflexões filosóficas)

Egoísmo, à luz de bons dicionários, é amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios. Exclusivismo que faz o indivíduo voltar para dentro de si, num egocentrismo sem medida. Orgulho e presunção!
Algumas espécies do gênero animal são egoístas por instinto. O homem, no entanto, é egoísta por presunção e patologia interior. Doença instalada nas entranhas da faculdade da alma humana
Na filosofia existencial (existencialismo) “o homem é uma paixão inútil”. Para Jean Paul SARTRE (1905-1980) “O homem nada mais é do que aquilo que ele mesmo faz de si mesmo”. Na história, não teria natureza, pois ele se faz vivendo: “Eu sou eu mais as minhas circunstâncias”, diria José ORTEGA y GASSET (1883-1955).
Subjetivamente, diria Sigmund FREUD (1856-1939): “o homem é governado pela concupiscência do espírito.” Dominado quase que inteiramente, pelo seu a libido (energia relacionada principalmente com o desejo sexual) ou a “busca de prazer no próprio corpo”.
Objetivamente, Thomas Hobbes (1588-1679) empirista inglês, tentou explicar o comportamento egoísta do homem. Segundo Hobbes, esse egoísmo é a causa de transformar os homens em “lobos uns dos outros.” Essa atitude egoísta, também, é o fator responsável pelas guerras e pelos conflitos, pelas perversões das condutas, situações prejudiciais a todos. Para Hobbes, os homens se encontram por natureza num estado de guerra universal em razão das paixões que os dominam. Assim essa competição não passa pelos animais irracionais, é uma batalha própria de quem pensa, de quem cogita, diria René Descartes.. É um estado de guerra que faz com os homens se movam pelo desejo de adquirir bens, poder e prestígio (Hobbes). É a destruição do homem pelo homem, que no dizer de Nietzsche (Genealogia da Moral), é a maior e mais inquietante de todas as doenças, da qual a humanidade ainda hoje não está curada, o homem, doente de si mesmo.
Exemplo mor dessa verdade com evidências públicas e notórias é a corrida pelo poder público. É aqui que constatamos uma perversidade que se agiganta cada vez mais em grau mais elevado. É aqui, nessa atividade pública, que homens e mulheres se revelam extremamente egoístas e desonestos, produto da busca desenfreada do homem pelo poder, prazer e realização pessoal desmedido, nem que para isso tenha que se corromper e tornar corruptos seus semelhantes.
O que fazer para evitar esta corrupção, que permeia a alma do homem? Seria utopia ou miragem social, sonhar com uma sociedade em que não existam a corrupção, a pobreza, a tirania, as guerras e porfias de toda ordem? Como sair desse estado totalmente insuportável? Como os homens podem sair desse círculo vicioso de luta, inimizade, ódio e suspeita? Seria demasiado tarde, para a humanidade, refletir sobre sua miséria, usando a razão para construir um Estado, corpo artificial destinado a garantir a segurança de todos?
Apesar do Apóstolo São Paulo, ter dito: ”Miserável homem que sou!”, há quem creia que a Providência Divina é o único meio de arrancar o homem dessa miserável condição humana do domínio invencível: do egoísmo; da vaidade, que tudo corrompe, em tudo penetra e; do irremediável domínio das paixões viciosas.

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