EM DEFESA DA RODOVIA DO PACÍFICO

Postado em 04/05/2017 23:57:54 Raimundo Angelim

A afirmação de que a “Rodovia Interoceânica frustra previsão de integrar o Brasil ao Pacífico”, veiculada recentemente pela grande mídia, desconstruindo a importância desse eixo de ligação com os países andinos, me causou desconforto. Creio que também a todos que reconhecem a importância da Rodovia do Pacífico para o povo do Acre e para o desenvolvimento do Brasil.

Também conhecida como Estrada do Pacífico ou Rodovia Transoceânica, esta importante estrada binacional liga o noroeste do Brasil ao litoral sul do Peru, através do Estado do Acre, pela BR-317, que parte de Rio Branco, nossa capital, e vai até a tríplice fronteira com o Peru e Bolívia, ligando a cidade brasileira de Assis Brasil com a peruana Iñapari. A partir desse ponto, são 1,9 mil km até Lima, capital do Peru, e 1,4 mil km até o Porto de Illo, na costa peruana do Pacífico.

Ao invés de alertar as autoridades federais sobre suas obrigações, a grande mídia a que me referi, preferiu veicular comentários preconceituosos com a região, como, por exemplo, sobre o número de caminhões que passam na rodovia, de pequenos povoados às margens da rodovia, sobre a forma como as pessoas trafegam e até sobre a ausência de órgãos do governo na fronteira à noite, mas não diz uma palavra sequer sobre a obrigação do governo federal de conservar a rodovia, de órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal proverem de serviços seus postos de atendimento, em mais um exemplo de como a mídia pode jogar contra os interesses do Brasil.

A importância desta rodovia transcende o número de veículos que por ela trafegam, pois é uma estrada que liga duas nações que antes estavam de costas uma para a outra. Além disso, dá às exportações brasileiras um caminho alternativo para os mercados da Ásia, reduzindo em 6 mil quilômetros a distância do País aos portos do Oceano Pacífico, aproximando nossos produtos de mercados importantes como China, Rússia e Japão e também garantindo o acesso dos produtos peruanos ao oceano Atlântico.

Se tem pouco caminhão passando na estrada é porque o Brasil vive uma profunda crise, cuja real extensão a própria mídia esconde da população. Estão cometendo um desatino ao dizer que a culpa pelo fato do agronegócio brasileiro estar exportando pouco para a China é da estrada que, de mais a mais, não é pior que a grande maioria das estradas do Norte, Centro-Oeste e Nordeste que levam até os portos brasileiros no Atlântico.

Mas não só de comércio vivem os homens, esta estrada é o primeiro eixo multimodal Atlântico-Pacífico na América do Sul, favorecendo a integração sul-americana, a circulação de pessoas, o turismo e o comércio bilateral entre o Brasil e o Peru.

Parafraseando Milton Nascimento e Fernando Brant, ficar de frente para o Atlântico e de costas para o restante da América do Sul não vai fazer desse lugar um bom país.
Agora, trata-se de uma rodovia estreita, sinuosa e remota, o que acarreta problemas comuns a rodovias deste tipo, agravados pelo descaso do DNIT que, desde a posse do governo Temer, abandonou totalmente a rodovia no trecho brasileiro, a BR-317.

Está registrado nos anais desta casa que, em fevereiro de 2016, eu já alertava que as características do clima do Acre, com períodos de chuvas que se estendem por quase seis meses, associadas à composição dos solos pouco pedregosos, fazem da conservação das estradas um problema que demanda a constante atenção por parte das autoridades e pedia a imediata intervenção do DNIT no sentido de providenciar sua recuperação, em benefício do escoamento da produção e, principalmente, para a proteção e segurança dos seus usuários.

Na época, em audiência com o presidente do DNIT, nos foi assegurado que as providências necessárias para garantir a trafegabilidade da rodovia durante todo o ano seriam tomadas, mas principalmente, garantindo a todos que dela precisam, a segurança necessária em seus deslocamentos, o que, como as imagens mostram, não aconteceu.

Por fim, quero compartilhar que publicações panfletárias e preconceituosas em nada contribuirão para o desenvolvimento do nosso país. Reforço a importância da Rodovia do Pacífico para o povo do Acre e informo ainda que volto a cobrar do DNIT as providências no sentido de garantir a manutenção das BRs 317 e 364, sob sua jurisdição.

Que nos unamos em torno desta que deve ser uma causa de todos que querem ver nosso Estado integrado e desenvolvido.

*Raimundo Angelim é professor, economista, ex-prefeito de Rio Branco e deputado federal (PT-AC)
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Email: dep.angelim@camara.leg.br

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