Embriagada de autoestima – Jornal A Gazeta

Embriagada de autoestima

No colegial sempre fui a mais alta, a mais magra, a mais tímida, a mais estranha. Na época, sofria com apelidos que não vale a pena citar aqui. A minha autoestima era quase zero, quase porque eu era boa em poucas coisas, então ainda tinha um amor próprio lá no fundo do meu eu.

Minha adolescência, precisamente aos 15 anos, foi a pior e melhor fase da minha vida. Pior porque, definitivamente, eu não seguia os padrões de beleza. E melhor porque fiz grandes amigos e vivi experiências únicas, que talvez não tivesse vivido se não fosse minha baixa autoestima e necessidade de afirmação.

Meu corpo era minha maior vergonha. Eu odiava. Sempre usei calça comprida para esconder as pernas finas, que sempre eram motivo de chacota. Comecei a beber cedo para me sentir parte de algo, ou me sentir algo. Mas nada do que eu fizesse ou dissesse mudaria o que eu sentia ao me olhar no espelho.

Eu lembro que já fui para festa na piscina, mas não tive coragem de vestir um biquíni. Achei que chamaria atenção com meu corpo estranho. O que eu não sabia é que eu chamava muito mais atenção de calça jeans do que com algo apropriado para o momento.

Foi uma adolescência difícil, mas como dizem: tudo passa. Passou mesmo. Eu cresci e amadureci. Aprendi a me amar, me cuidar e, principalmente, me aceitar. Aceitar que ninguém tem o mesmo corpo, o mesmo cabelo, o mesmo sorriso, o mesmo formato de pernas. Somos todos únicos.

Hoje eu sou feliz comigo mesma. Com o meu corpo. Estou sempre procurando melhorar, não para atender os padrões de beleza da sociedade, mas para gostar do que vejo quando me olho no espelho. Ou eu amadureci, ou devo estar passando pela crise dos 27 anos porque eu ando diariamente embriagada com minha autoestima. Nada e ninguém abalam meu amor próprio. Tô amando me amar!

 

 

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