“Esses rapazes fazem a obra de Deus”, desabafa moradora do Caladinho – Jornal A Gazeta

“Esses rapazes fazem a obra de Deus”, desabafa moradora do Caladinho

Alimentos arrecadados em evento de tatuagem foram entregues. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Alimentos arrecadados em evento de tatuagem foram entregues. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Sob forte calor, crianças brincam no chão de terra batida, descalças, enquanto isso, na porta de casa a diarista Sebastiana Ferreira tentava improvisar a próxima refeição. Parecia ser um dia qualquer, com as dificuldades rotineiras de quem mora na periferia de Rio Branco. Quando de repente, as crianças anunciavam que o dia poderia ficar diferente.

Ao entrar em um dos inúmeros estreitos becos do bairro Caladinho, percebe-se a presença de uma, duas, três casas que da rua principal não é possível visualizar. O caminho acaba e outras casas surgem. O sorriso das crianças e de suas respectivas mães mostra que muito mais que alimentos, o grupo leva esperança de um futuro melhor e diferente para todos ali.

O organizador da I Convenção de Tatuagem do Acre, Matias Souza, afirma que arrecadou quase meia tonelada de alimento durante o evento que reuniu quase três mil pessoas durante três dias no mês de setembro. A entrega dos donativos ocorreu na manhã de ontem, 23.

“Queremos agradecer a todos que participaram do evento e contribuíram para ajudar essas famílias carentes. O evento foi um sucesso e nada mais justo que dividir essa alegria com as crianças aqui. Não foi a primeira e nem será a última ação social que promovemos. Para o final do ano estamos planejando atividades para proporcionar um Natal diferente para elas”, adiantou Matias.

Wellington Souza, chamado de tio a todo o momento pelas crianças, afirma que ajuda cerca de 15 famílias na região, através do projeto “Caladinho Fala”. “Com as crianças damos aulas de reforço escolar, no chão mesmo. Contação de estória. Arrecadamos doações de sapatos e roupas. Estamos batalhando para conseguir o material escolar de duas delas para o início do ano que vem”, explicou.

As ações também conquistam os pais das crianças. “Minha filha é louca por ele. Por morarmos aqui, às vezes temos a impressão que ninguém nos vê e quando o Wellington chega aqui é um dia bom e diferente. Esses rapazes fazem a obra de Deus aqui para a gente”, confirmou a diarista Sebastiana que ficou emocionada.

Sebastiana é casada e tem uma filha. É diarista e o esposo trabalha com serviços gerais. Ela recebeu seu sacolão e sorriu ao dizer que pelos próximos 15 dias, as três refeições principais estão garantidas.

Assuntos desta notícia