Eternamente complicado – Jornal A Gazeta

Eternamente complicado

Ô reclamações que nunca param. É o transporte coletivo de Rio Branco, alvo eterno de queixas.  E na, maioria de vezes, são as mesmas. Praticamente iguais. Mas o pior, não são só usuários que as fazem. Os trabalhadores do setor também vivem de mimimi, basicamente das mesmas coisas: salário baixo e condições de trabalho adversas. Muito se critica, medidas são tomadas para dar uma pequena melhorada no sistema. Só que, no geral, os ‘grandes velhos’ problemas persistem.

O setor dá voltas e mais voltas. Avança. Regride. Ganha novos carros (leia-se ônibus), perde velhos. Constroem abrigos (leia-se ‘paradas’), o tempo vem e desgasta os mais antigos. Assim a vida se segue no transporte público da cidade, e as questões de sempre vão se renovando. Isso quando não insurge alguma greve dos motoristas e cobradores e de repente tudo vira uma loucura. As coisas se ‘desgringolam’ dos seus eixos e a população perde a cabeça (ou seria a paciência).

Há baixa resolutividade dos grandes males neste setor. Por isso, os usuários já criaram até certo preconceito com os ônibus. Perderam a fé, enquanto os gestores e empresários que fornecem o serviço tentam justificar mil e uma razões para o que acontece, em vez de simplesmente dizer: ‘está errado, mas estamos cuidando disso’. Complicam explicações. Tudo fica mais difícil de resolver.

Porque aos olhos da população a questão não é tão complicada assim como se imagina! O que as pessoas pensam é mais ou menos: o serviço não é dos melhores; é caro; atrasa de vez em sempre; eu só uso transporte coletivo porque não tenho outra opção (o que explica porque a frota de carros e, principalmente, de motos não para de crescer em Rio Branco); deveria ter ar; os ônibus são melhores em outros lugares onde as passagens são mais baratas; e ‘nossa, tá megalotado’.

Muita gente está descontente com o transporte público na Capital. E os usuários sentem, e com razão, que estão pagando caro por ele. As pessoas precisam pelo menos acreditar que alguma coisa está sendo feita para melhorar o serviço. Elas querem ver providências sendo tomadas com o ‘rico dinheirinho’ que sai dos seus bolsos. Já se foi o tempo em que queriam só a carona. Hoje, o povo é exigente. Abusado. Clama por melhorias. Clama por providências.

É hora de repensar a maneira com que se trata este sistema. Será que seu funcionamento é o ideal? Não poderia ser melhor? O que parece é que ele vive por um fio. Qualquer hora pode ter greve. Qualquer hora pode ter aumento. Qualquer hora pode melhorar, e vice-versa. Isso não passa segurança para as pessoas. Isso tem que mudar. Rio Branco precisa ter metas para o seu transporte coletivo. Objetivos mais claros com o setor. Se não, vai ser sempre a mesma história.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: sdmartinello@gmail.com

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