Fantasma que assombra as famílias – Jornal A Gazeta

Fantasma que assombra as famílias

Na home dos sites de notícias nacionais estampam como manchete: “Desemprego atinge 14 milhões de pessoas em trimestre encerrado em abril”. Um frio estranho parece congelar o coração que tenho a sensação de bater cada vez mais devagar. Afinal, todos nós estamos aptos a fazer parte dessa triste estatística.
O desemprego tem se tornado um fantasma cada vez mais real no cotidiano dos brasileiros. E essa situação nem está tão distante, de nós acreanos. Passando pelo Sistema Nacional de Emprego do Acre (Sine) pude constatar em poucos segundos o retrato triste que a população tem sofrido.

Vi jovens que buscam o primeiro emprego, vi mulheres com crianças pequenas, vi homens com meia idade, alguns cabelos brancos e olhares que misturam a esperança e expectativa por uma oportunidade de trabalho.

Milhares de pessoas com seus respectivos currículos em mãos, almejando uma vaga de emprego. De qualquer função, porque do jeito que as coisas estão, não dá escolher, comentou um rapaz perto de mim.

Ele com o segundo grau completo, tem se dedicado aos estudos para entrar para o ensino superior. Mas, segundo ele, a situação mudou após a mãe ter que abandonar o emprego para cuidar da avó que enfrenta graves problemas de saúde. O orçamento doméstico apertou.

“Hoje não posso me dar ao luxo de esperar que a oportunidade venha até mim. Eu que estou correndo atrás dela. Assim como toda essa gente que está desde muito cedo aqui”, reforçou o rapaz.

Um senhor se aproximou de mim e perguntou as horas. “Sabe é que cheguei às 8h por estar precisando muito de um emprego. Mas, até agora não consegui ser atendido, comentou ele. Já eram perto das 15h. Para finalizar o papo rápido ele conclui ‘só que precisa muito é que enfrenta uma espera dessa’.

Todo mundo tem um objetivo na vida. E um trabalho é a única garantia de que atingir as metas com dignidade e persistência. E certamente é isso que moveu centenas de pessoas a sede do Sine para se candidatar a uma das vagas oferecida por uma rede de loja de departamentos.

No cenário nacional, a taxa de desocupação ficou em 13,6% no trimestre encerrado em abril de 2017 de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A fila do desemprego no País contava com 14,048 milhões de pessoas no trimestre. O resultado significa que há mais 2,636 milhões de desempregados em relação a um ano antes, o equivalente a um aumento de 23,1%.

Bruna Lopes é jornalista
jornalistabrunalopes@gmail.com

Assuntos desta notícia