Governo temerário

Postado em 18/05/2016 15:28:14

A sucessão de trapalhadas na primeira semana do presidente interino Michel Temer deixa transparecer que, como vice-presidente, ele tanto se ocupou da conspiração, que descuidou da preparação para assumir o governo.

Temer prometia outras presenças na Esplanada dos Ministérios, mas chegou abrindo mais espaço para figurinhas carimbadas da velha política. Em suma, prometeu um ministério de notáveis e nomeou um ministério de notórios.

Não bastasse a falta de votos e, portanto, de legitimidade do governo interino, Temer, voluntariamente, somou a isso a falta de representatividade do seu ministério sem mulheres e sem negros, portanto, sem a cara do povo brasileiro.

Foi patético o esforço do presidente interino para justificar o clube de homens brancos retratados em seu ministério. Depois de várias negativas de mulheres chamadas às pressas, pareceu remendo o anúncio da economista Maria Silva Bastos Marques para o BNDES.

Temer prometeu não interferir na Operação Lava Jato e manter o combate à corrupção. O novo ministro da Justiça, Alexandre Morais, é advogado de Eduardo Cunha. O novo subchefe da Casa Civil para Assuntos Jurídicos, Gustavo do Vale Rocha, também advogou para o presidente afastado da Câmara dos Deputados. E vai acumular outro cargo, pois graças ao apoio de Eduardo Cunha, em 2015 Rocha foi nomeado para o Conselho Nacional do Ministério Público, órgão de controle externo do Ministério Público.

O novo ministro da Justiça chegou questionando o poder do Ministério Público, mas logo depois procurou corrigir o que disse. O mesmo aconteceu com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, que disse, e logo desdisse, ser preciso rever o tamanho do SUS.

No ato de posse, Temer garantiu não permitir a prática atrasada de um governo chegar desfazendo o que fez o antecessor. E o novo ministro das Cidades, o tucano Bruno Araújo, já chegou cancelando 11.250 casas do “Minha Casa, Minha Vida”.

O mais sonoro dos discursos trocados, porém, teve como porta-voz o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendendo a volta da CPMF e o aumento de impostos.

O tempo dirá se o sumiço de quatro estrelas na bandeira nacional estampada no logotipo apresentado por Temer foi mais uma dessas trapalhadas ou a marca de subtração de um governo temerário.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
E-mail: giba@ciaselva.com.br

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