Invertido – Jornal A Gazeta

Invertido

Da série: coisas que só acontecem no Acre. Protesto de presos que se negam a voltar para o Unidade Prisional 4 (UP4), conhecida como “Papudinha”, por não se sentirem seguros lá. Poderia ser uma manchete do site Sensasionalista, mas não é.

Os detentos que saem durante o dia e voltam para dormir no presídio se aglomeraram nesta segunda-feira, 24, em frente ao Fórum Criminal de Rio Branco alegando que só voltarão para o presídio caso o Estado ofereça segurança a eles.

Isso se deve aos fatos ocorridos na semana passada, uma das mais tensas da história de Rio Branco. Esses mesmos presos sofreram emboscada quando voltavam para passar a noite na UP4. Ao menos 25 criminosos participaram da ação.

Naquela terça-feira, dia 18, um problema muito maior crescia. A emboscada e a troca de tiros dos bandidos com a polícia só davam uma demonstração do que estava por vir.

Na quinta-feira, dia 20, uma rebelião dentro do Complexo Penitenciário Francisco de Oliveira Conde resultou na morte de quatro detentos. O próprio secretário de Segurança do Estado admitiu a existência da guerra entre as facções pela disputa de poder.

Alguns dias depois, a situação foi parcialmente controlada, pelo menos do ponto de vista superficial. O pânico que tomou de conta das pessoas na semana passada, parece estar se dissolvendo. Ainda que saibamos que uma guerra forte continua sendo travada nas periferias, preferimos acreditar que agora está tudo bem. Mas não está.

E os criminosos estão ganhando muito. Os nossos jovens estão sendo aliciados e não é de agora. Cada vez mais estão buscando meninos e meninas para inseri-los nesse mundo asqueroso e cruel.

Na sexta-feira, 21, a polícia, durante uma perseguição na Capital, acabou atingindo um garoto de 12 anos de idade, com uma bala no abdômen. O adolescente estava dentro de um táxi com criminosos que planejavam crimes na capital, segundo a PM.

Como não se entristecer com uma notícia dessas? Tão jovem e já sendo mergulhado em uma realidade às margens da sociedade, onde o destino é incerto.

Nesse universo paralelo, onde detentos protestam por mais segurança e crianças são aliciadas para o mundo do crime todos os dias, fica claro que as coisas estão de cabeça para baixo.

Nesse momento precisamos cuidar dos nossos jovens. Se você pode fazer a diferença na vida de uma criança, então faça. Não podemos deixar que os criminosos vençam e estabeleçam o papel de pai da vida deles.

Protegendo-os estamos garantindo um futuro diferente deste aqui. Afinal, aguentar mais tempo dessa vida miserável de ficar preso em casa com medo da insegurança nas ruas não é para nós. Não é para ninguém.

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