Justiça com as próprias mãos – Jornal A Gazeta

Justiça com as próprias mãos

Durante meus 25 anos de vida, não me recordo de ver um crime tão bárbaro como esse que aconteceu no município do Bujari. O que leva uma pessoa a matar uma mãe e seu filho de apenas seis meses?! Pior, a maneira brutal e fria com que o assassino tirou a vida dessas duas pessoas.

Matar, abrir o corpo de uma mulher e logo em seguida costurá-lo, amarrar pedras no corpo e jogar no rio. Depois disso, matar uma criança de apenas seis meses de vida, que segundo a perícia o corpo apresentava marcas de esmagamento. Falando assim parece até uma cena de filme de terror. E foi quase isso, só que na vida real.

Na verdade, não sei o que é pior, o assassino que tira a vida de duas pessoas de forma brutal, ou 50 pessoas que fizeram justiça com as próprias mãos. Populares invadiram a delegacia e mataram a facadas o suspeito do crime. Quer dizer, morre um assassino e nascem 50?

Eu entendo que a população estava revoltada pela forma brutal que aconteceu o crime, mas tirar a vida do suspeito alivia a dor dos familiares? Faz de você alguém melhor? Que a Justiça do Brasil é falha, nós sabemos. Mas, ainda assim, isso não dá direito de tira a vida de ninguém.

É quase como se fosse um ciclo. E se a família do assassino se revoltasse e fosse atrás de vingança? Mais uma tragédia aconteceria. É preciso uma cabeça muito equilibrada e saber não agir em momentos de raiva.

Como disse o especialista, o psicólogo social, Enock Pessoa, esse é um processo “doentio da sociedade”. Como ele bem descreveu: “a pessoa que se vinga com as próprias mãos também é doente. Por outro lado, o sistema Judiciário precisa se atentar para isso, porque uma Justiça demorada se torna injustiça”.

Sábias palavras. Pessoa foi muito feliz ao descrever essas pessoas, “doentes”. Eu fico quase sem palavras, fazer uma cobertura jornalística de situações como essa nos deixam completamente paralisados, sem palavras.

Triste mesmo é ver o rumo que a sociedade está tomando. Ver o quanto a vida de uma pessoa não está valendo nada. O apelo de hoje é por mais justiça, mais paz, mais sanidade aos insanos, mais dias coloridos e menos dias cinzas. Deixo aqui meus sentimentos aos amigos e familiares dessas duas tragédias.

* Bruna Mello é jornalista
bmello.90@gmail.com

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