Libertem o amor – Jornal A Gazeta

Libertem o amor

Todo mundo já perdeu ou vai perder alguém algum dia. A afirmação parece melancólica. Ninguém gosta de pensar nisso. Mas é algo inevitável. Nascemos, vivemos e morremos. É regra da vida.

Às vezes, desperdiçamos tempo demais pensando em coisas inúteis. Somos uma raça muito complicada. Brigamos com quem amamos, deixamos o orgulho falar mais alto e até chegamos a romper com grandes amigos. Criamos muralhas à nossa volta, com medo de sermos machucados e deixamos de saber o que é se entregar de corpo e alma a alguém.

Conheço muita gente que, mesmo casada, não ama incondicionalmente. Na verdade, algumas competem para ver quem manda mais ou quem é mais refém no relacionamento. Gostamos de ter o comando, porque detestamos a ideia de sermos feitos de besta.

Nessa guerra dentro da própria casa, moldam-se os filhos, que acabam repetindo o mesmo erro dos pais. E o amor verdadeiro e puro vai se tornando uma lenda. Algo que só encontramos em historinhas. Inalcançável.

Essa nova geração gosta da ideia do desapego. De estar perto, mas não tanto. De beijar, mas não se envolver. De mostrar para o mundo que está feliz nas redes sociais, mas ser frio e distante na vida real.

A coisa é tão séria que, às vezes, nos pegamos vazios, sem lágrimas para serem derramadas. Passamos tanto tempo prendendo os sentimentos, que o rio seca. Deixamos alguém entrar nas nossas vidas por conveniência.

Mas, no fim, o que nos resta? Quando estivermos desfalecendo, deixando este mundo, será que se privar tanto de simplesmente sentir, terá feito alguma razão?

Tenho pensado em tudo isso desde que perdi um grande amigo. Ele foi muito importante no meu desenvolvimento como pessoa. Aprendi muito sobre lealdade com ele.

O meu querido amigo partiu muito jovem. Não conseguiu realizar um dos seus maiores sonhos, que era se formar em Engenharia Florestal. Antes de morrer, estava todo feliz, porque logo começaria um novo trabalho. Não deu tempo. A morte chegou antes e o arrancou deste mundo.

Quando nos deparamos com uma perda tão grande assim, às vezes pensamos no sentido da vida. Isso é bom. Analisar se estamos no lugar certo. Perceber-se enquanto ser humano. Qual o meu papel aqui? É apenas fazer dinheiro e ter uma parceiro/a bonito/a para mostrar para os amigos? É passar mais tempo no trabalho do que com a família? É juntar riquezas e nunca conhecer o mundo?

São muitos questionamentos para uma simples jornalista se perder em devaneios. No entanto, uma coisa é certa: quero vivenciar o amor. Quero me permitir sentir. Porque no fim das contas, quem merece ficar preso não é o amor, e sim os maus sentimentos.

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: brenna.amancio@gmail.com

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