Limpar gavetas – Jornal A Gazeta

Limpar gavetas

Inquietação, ansiedade, apreensão e medo. Quando um desses sentimentos me aflige, uma das alternativas mais eficazes para que a calma tome conta de mim é arrumar as gavetas.
Seja de calcinha, de bolsas, fotos, de remédio ou mesmo do trabalho. Tirar tudo o que está dentro e limpar me traz uma sensação inexplicável, além de me acalmar profundamente.
Faço isso quando sinto que nada está em minhas mãos e essa sensação é pavorosa para alguém como eu. Não que eu seja paranóica ou tenha mania de limpeza, mas não nego que gosto de uma boa organização ou o mínimo.
Quando a vida parecia entrar nos eixos, eis que surge um furacão para levar sujeira e bagunça para as gavetas da minha vida. Mas, é sempre assim, né?!
Parece que o destino quer testar nossa capacidade de ser resiliente e paciente. Enquanto os ventos levam o mínimo de organização e de controle, a sensação de incapacidade é cada vez maior. É enlouquecedor!
Nesses momentos de crise, o tempo parece não passar. E por incrível que pareça, devemos ao tempo a solução de alguns problemas. Porque só ele ameniza raiva, aumenta saudade, revela amor, mostra caminho ou embaralha tudo de vez.
Mas, otimistas como somos, vamos torcer pelo melhor, né?!
Aprendendo a conviver com o caos. Assim, tem sido os dias. Uma hora você se acostuma e caba se sentindo diferente quando há silêncio e paz. Essa deve ser a mesma sensação de quem sobrevive à guerra.
Questionamentos sobre o que você é e o tanto de sofrimento que pode aguentar são comuns. Mas, aí, surgem os sentimentos descritos no início deste texto e também a vontade de arrumar as gavetas para ver se essas terríveis sensações acabam. E então, você percebe o quanto amadureceu e sobreviveu a tudo. Calma como um furacão!

 

“Aprendendo a conviver com o caos. Assim, tem sido os dias”

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