Loucura juvenil! – Jornal A Gazeta

Loucura juvenil!

O filósofo empirista inglês John Locke (1632-1704) em sua teoria da “tabula rasa, diz que o intelecto humano, obviamente, no princípio é como “um papel em branco” suscetível as impressões recebidas através dos sentidos. Assim sendo, pode-se entender sem compreender plenamente, os porquês da loucura juvenil no presente mundo. Nas últimas décadas os jovens só recebem impressões destrutivas, daí esses fenômenos absurdos que surgem na contramão da vida. Caso típico do adolescente de Goiânia que executou colegas na sala de aula. Pode-se dizer que toda essa loucura juvenil é produto duma nova filosofia de vida em que a verdade e os valores são relativos, dependentes de sua utilidade tanto para os indivíduos como para a sociedade.
À luz das vãs filosofias, o perfil do jovem, no mundo em que vivemos, enquadra-se na filosofia niilista de Friedrich Nietzsche (1844-1900) que consiste na desvalorização dos supremos valores, na ausência de fim, na impossibilidade de responder “os porquês de tudo isso?”. Niilismo, por outro lado, que prega que o valor é um modo do ser. E as coisas valiosas, apreciadas e desejadas porque valiosas, que se tornam norma ou regra de conduta, são, por isso mesmo, fim ou razão de ser da conduta. Abro parêntese para evocar tese de Arthur Schopenhauer (1788-1860), sobre essa questão de “desejar.” Para Schopenhauer a liberdade do homem só se dar através do deixar de querer. Como, por natureza dos sentidos múltiplos, vivemos para desejar, notadamente o que é alheio, estamos todos presos aos valores estéticos. De volta a Nietzsche, com este aprendemos que o sentimento da ausência de valor emergiu, “quando se compreendeu que a existência em seu conjunto não poderia ser interpretada nem pelo conceito de fim, nem pelo de unidade, nem pelo de verdade; a existência deixou de ser verdadeira, é falsa. Não há mais razão alguma para imaginar um mundo verdadeiro”. Deste modo, no nietscheanismo, o mundo parece sem valor, privado de fim, de unidade e de verdade.
Existe, ainda, o hedonismo extremado oriundo do antigo sistema filosófico hedonista, que estabelece o prazer como o objeto principal da vida. Essa configuração de encarar a vida é fortemente influenciada, hoje, pela mídia pornográfica, indutora de maus costumes; dessa forma, a petizada só fala em “ficar” “parada”, curtição em embalos alucinógenos e tudo mais o que enche a mente de milhares deles. Esse apego, exagerado, aos prazeres objetivos, fere e descaracteriza a própria estética; pois a satisfação só é estética quando gratuita e desligada de qualquer interesse; não se ufana e não prevalece sobre o interior ético responsável, cumpridor de suas obrigações de jovem. Com tudo isso para deleitar-se estabanado, e sem ter de onde tirar os borós; muitos jovens são levados a planejar e executar assaltos e outros crimes.
Basta-nos verificar os registros criminais para demonstrar que a delinqüência juvenil aumentou em proporção assustadora no mundo inteiro. Se formos enfáticos, diremos que a indisciplina e o delito se acham presentes nos jovens, em escala tal, como jamais o mundo as conheceu.
Num mundo assim em que os jovens são considerados os “bandidos da era digital” o melhor é aliar-se à gente que não se desespera, que pensa que é possível fazer algo e lutar por um futuro feliz da juventude. Embora no momento, diante do estupor, miséria, desespero e malefícios oriundos das drogas, mesmo pelo prisma do mais otimista dos homens, parece não existir absolutamente qualquer possibilidade de, ao menos, remediar essa situação.

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