Mais do mesmo – Jornal A Gazeta

Mais do mesmo

A condenação do ex-presidente Lula foi um prato cheio para os haters da chamada ‘Era PT’. Não faltaram memes dos nove dedos e meio do ex-presidente, de sua preocupação em ir pra cadeia ou de montagens da cabeça do juiz Sérgio Moro anexada ao corpo do super-homem. Uma comemoração humorada, vibrante e efusiva na internet, como uma vitória dos chamados antipetistas similar a um título de Copa do Mundo, ou coisa parecida.

Muitos fizeram até o povo acreditar que aquelas manifestações do @vemprarua de alguns anos atrás valeram a pena. Que não são relevantes ou praticamente inexistentes todas as denúncias em torno do Temer, Aécio Neves ou de outros como eles que estão aí na ‘situação’ de agora.

Até aí tudo bem! Posição política de cada um é posição política de cada um. E cada um também tem direito de abrir a champagne para comemorar o que quiser, do jeito que bem entender.

No entanto, um alerta que fica dessa história toda é que, sim, o Moro condenou o Lula [meu Deus, por essa ninguém esperava!] Não, nada mudou. O Brasil continua igual.

A aprovação da reforma trabalhista, por exemplo, merecia igual destaque ao do anúncio da sentença de Lula, mas pouco se falou sobre isso. Trata-se de uma mudança na lei que vai prevalecer no Brasil por vários anos. Mas o assunto morreu em meio a protestos de sindicatos e as defesas de algumas poucas instituições.

Preferiram comemorar a condenação do Lula. Mais uma vez esqueceram-se do futuro do país.

O que esse cenário demonstra é que as pessoas vão continuar votando só por votar. Vão às urnas em outubro do ano que vem para confirmar votos ‘vazios’ de contra um ou contra outro, ou pra fazer valer suas posições políticas nada consistentes de bebedeira em roda de boteco.

Nada disso é sinônimo de consciência eleitoral. Votar só por teimosia, interesses pessoais ou só porque você brada suas opiniões e quer que suas previsões políticas se confirmem só para ser mais um sabichão em meio a um país repleto deles não é o caminho certo para mudar esta realidade política desacreditada em que vivemos hoje. Muito pelo contrário.

Difícil é achar alguém que vote de forma lúcida e imparcial. Que vote pelo projeto e pela plataforma política em que se acredita que poderá ser melhor para o nosso país.

Pelo andar da carruagem, tudo indica é que teremos mais uma eleição de um país rachado e perdido em 2018, com um povo iludido e que merecerá, de novo, os representantes políticos que tem. A verdade é que essa é nossa sina.

Assuntos desta notícia