Mais um – Jornal A Gazeta

Mais um

Há pouco mais de dois anos, uma notícia trágica transformou em pesadelo a vida de uma família. A minha! No meio da noite, uma ligação de alguém falando que meu primo tinha sido assassinado na porta de casa me fez sentir uma dor imensa.

Ele era agente penitenciário. O Anderson de Albuquerque Guimarães podia exercer qualquer profissão. Era agente mas não por necessidade. Com duas graduações, a vida dele estava só começando.

Quando na véspera do aniversário de 30 anos, uma chuva de tiros mudou para sempre a vida de muita gente.

Ao noticiar a morte de outro agente penitenciário, nesta semana, me fez recordar com muita tristeza desse episódio e dos dias seguintes.

Desta vez, Romario Cavalcante Alexandrino, de 28 anos, morreu após sofrer uma emboscada dentro da própria casa na Vila do V.

Da mesma forma como ocorreu com o Anderson, todos associavam a morte dele coma a ação de facções criminosas em Rio Branco. Aliás, o termo facções antes quase nunca usado. Passaram a fazer parte de qualquer conversa em todas as classes sociais.

Dizem que a morte de Romario trata-se de uma retaliação ao trabalho que desenvolvem dentro do sistema penitenciário. O que eu temia foi exatamente o que aconteceu. A morte do meu primo virou estatística, assim como a de Romario certamente também vai virar.

Lamentavelmente. Quem sofre é a família. Quem sofre é o filho e a esposa. A verdadeira violência é aquela sofrida que jamais será esquecida por quem perde um ente querido.

Enquanto isso, a Segurança Pública diz que os ataques criminosos que assolaram a capital e interior tem como alvo prédios públicos. Mas, estamos em guerra! E faz muito tempo. A sociedade também é ferozmente atingida a cada novo ataque.

Seja por medo de sair de casa. Ou por assistir impotente a destruição de um centro histórico que jamais poderá ser restaurado. Como é o caso do arquivo cultural do Parque Capitão Círiaco em 2016.

Isso sem falar que o dinheiro empregado da recuperação ou reparação dos danos durante esses ataques saem do bolso dos contribuintes. Então, os ataques são pessoais. Atingem eu, você e todo mundo que vive numa cidade que espera sem surpresa os próximos episódios dessa novela.

*Bruna Lopes é jornalista
jornalistabrunalopes@gmail.com

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