Mal acostumados – Jornal A Gazeta

Mal acostumados

No final de semana, Rio Branco registrou ataques criminosos. As ações se repetiram em Sena Madureira, Feijó e Tarauacá. As investigações da polícia apontam que tudo não passou de represália ao funcionamento do bloqueador de celular dentro dos presídio na Capital.

Vejam bem o tamanho da ousadia dos criminosos em exigir o benefício, que nunca lhes pertenceu, de fazer ligações de dentro do presídio! Parece brincadeira, mas não é.

Ficaram mal acostumados. Por anos, presidiários de alta periculosidade deram ordens, mesmo estando privados de liberdades, para a execução de outros crimes.

Eu, na função de repórter, já entrevistei um detento por celular. Não é piada, leitores. Isso aconteceu, foi real.

Lembro bem da ocasião. O fato ocorreu no início de uma noite de trabalho durante a última grande rebelião dentro do presídio Francisco d’Oliveira Conde, em Rio Branco. A equipe do jornal caminhava para o fechamento de mais uma edição, quando uma mulher aos prantos adentrou a Redação com o celular na mão. Ela disse que o companheiro estava desesperado e que havia pessoas mortas dentro da penitenciária. A mulher queria ajuda e me passou o aparelho telefônico para que eu pudesse ouvir as exigências do homem do outro lado da linha.

O detento, por meio do celular, demonstrou nervosismo e queria dar alguns recados para as autoridades. Ele me usou como ponte e pedia que tudo saísse no jornal.

Foi uma das situações mais inusitadas que vivi enquanto jornalista, mas, nem de perto, surpreendente. Afinal, estamos no Brasil, onde presidiário tem celular com acesso à internet e muitas outras regalias que, às vezes, falta ao trabalhador.

Agora, com os bloqueadores de celular em ação, um investimento de R$ 2 milhões provenientes do Fundo Penitenciário Nacional, um destino diferente começa a ser traçado na Segurança Pública do Acre.

Por hora, apenas o Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde e o Presídio Antônio Amaro contam com os aparelhos, mas o objetivo é que as demais unidades prisionais acreanas passem a dispor deles.

Essas ações devem ser aplaudidas, pois visam combater o crime organizado, que se espalha como uma doença por todo o estado.

De fato, a medida vai irritar e muito quem está aí apenas para fazer o mal, porém, o Estado não pode se dobrar.

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