Malditas queimadas – Jornal A Gazeta

Malditas queimadas

Estamos queimando. Nossos pulmões estão sendo intoxicados lentamente, ano após ano. E, ainda que tudo pareça evoluir, nossas ações simplesmente provocam um retrocesso e destruição ao meio ambiente.

Não é preciso ser especialista para saber que passamos do limite. Basta olhar para o céu de Rio Branco e constatar que algo anda muito, muito errado.

A gente já espera um mês de julho seco, com praticamente nada de chuva. Até nos preparamos para isso, ou pelo menos deveríamos. Contudo, com a fumaça não dá para se acostumar.

As queimadas são um câncer. Essa doença maligna tem se espalhado por todo o estado acreano e, particularmente em Rio Branco, tem afetado a saúde de milhares de pessoas.

O Instituto de Mudanças Climáticas do Acre afirma que o estado contabiliza 211 focos de calor entre 1º de janeiro até o dia 20 de julho.

Para se ter uma ideia do quanto isso é sério, tal número é superior ao do mesmo período dos anos de 2005, 2010 e 2015, este último considerado o ano mais quente do planeta, de acordo com o órgão.

Segundo o satélite Aqua MT-Inpe, de 1° de janeiro a 17 de julho de 2017, foram registrados 15.859 focos de calor na região amazônica. Deste total, 41,6% no Mato Grosso (6.590), 20,9% no Tocantins (3.310) e 14% no Pará (2.213). O Acre ficou na oitava posição, com 184 focos.

O que leva a esses números alarmantes pode começar com uma pequena ideia estúpida de fazer a simples queimada. Sabe o preguiçoso e inconsequente que não quer ter muitos gastos em se livrar do mato no terreno dele e acaba ‘tacando’ fogo? Esse mesmo cidadão, às vezes, perde o controle e a queimada se torna um grande incêndio.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, os incêndios aconteceram em maior quantidade em projetos de assentamento, áreas abertas da União, estados e municípios e propriedades particulares.

Com essa atitude dos inconsequentes, perde todo mundo, inclusive ele. As unidades de saúde lotam de pessoas doentes devido à inalação de fumaça, a fauna sofre, a floresta, e o governo acaba tendo que gastar mais para combater o fogo.

Portanto, pedir nunca é demais. Evite o uso do fogo, sob pena de provocar incêndios descontrolados. Denuncie casos de queimadas e, juntos, iremos mudar esse cenário lastimável. Nossos pulmões agradecem.

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