Maria

Postado em 17/04/2017 23:50:03 BRENNA AMÂNCIO

Maria era o nome dela. Uma mulher, como tantas outras. Mãe de três meninas, batalhadora e firme nas suas convicções. Trabalhava com agricultura na zona rural de Capixaba, interior do Acre. Tinha apenas 36 anos quando foi arrancada da vida de uma forma cruel e por um motivo tão tolo.

No domingo, 16 de abril, ela foi a uma festa. Foi convidada a dançar, mas não aceitou, pois era casada e, apesar de o marido não estar presente no local, não queria problemas com isso.

Depois da festa, Maria foi para casa e, ao passar em frente a um bar, no caminho, o homem a quem ela havia rejeitado a dança a viu e se apressou a acompanhá-la. Um parente de longe viu a cena, mas não imaginava que aquela seria a última vez que veria a mulher viva.

Maria nunca chegou em casa. Maria nunca voltou para as filhas. Maria fora assassinada naquela noite e o principal suspeito do crime é o homem a quem ela negou uma dança.

O corpo da agricultora foi encontrado às margens de uma rodovia com sinais de violência sexual. A causa da morte foi asfixia mecânica. As roupas dela foram localizadas próximas à casa do acusado, que foi preso horas depois.

Apesar de muitos acreditarem que Maria morreu por se recusar a dançar com o seu assassino, a verdade é que ela morreu pelo fato de existirem pessoas doentes e cruéis no mundo, com capacidade de ferir os outros.

Infelizmente, Maria não foi a primeira e nem será a última mulher a pagar com a vida quando não seguir as ordens de quem se acha “Deus”, dono do corpo e da vontade alheia.

Quantas mulheres não acabam obedecendo algum homem por medo de serem agredidas ou até mortas? Quantas mulheres vivem dentro de casa um verdadeiro pesadelo, pois são reféns de quem deveria amá-las? Quantas mulheres no mundo já morreram para satisfazer o gosto sexual doentio de homens covardes?

Maria era jovem, tinha família, emprego e uma vida inteira para desfrutar. E isso foi arrancado dela de uma forma tão mesquinha, tão nojenta. Nenhuma mulher, nenhuma vítima deve passar por isso.

Até quando iremos ficar de luto pelas Marias que são assassinadas?

editorial

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