Jornal A Gazeta

Noite de Natal!

Sobremodo, ou extraordinariamente, a noite de Natal nos mostra que somos propensos a emoções; somos sensíveis aos apelos oriundos das tradições que nos concitem a AMAR, a ter PAZ e a exercer a irmandade universal.
Assim, na expectativa de viver mais uma noite especial de Natal, deixo algumas reflexões sobre este momento de contágio mundial.
Noite de Natal, é noite de alteridade universal. O significado da palavra alteridade possui o sentido de colocar-se no lugar do outro numa relação interpessoal. É a “face do outro” que se impõe com sua irredutível alteridade, que me envolve e me põe em questão, torna-me imediatamente responsável. Que me remete, de forma inexorável, à caridade com preocupação de justiça, especialmente justiça social.
É o “magnetismo” do Natal do menino Jesus, que envolve a humanidade de diferentes culturas, numa teia de acontecimentos de amor ao próximo sem precedentes. Surgem campanhas, as mancheias, de solidariedade humana, oriunda dos mais diferentes segmentos sociais, concitando o povo a fazer doações de alimentos, visando minorar a fome dos menos favorecidos socialmente. Afinal, a sociedade cada dia se afasta, mais e mais, dos contratos sociais, vive distante das comunidades vitais e aquém da comunidade jurídica e, é inegável, carente duma fraternidade movida pelo amor
Este amor ao próximo, essa filantropia cristã, evidencia uma liberdade que traz as formas apostólicas do próprio Senhor Jesus Cristo, pois a noite de Natal contraria o pensamento mesquinho e egoísta, impregnado em nossa alma, de só olhar para os nossos próprios interesses em detrimento do próximo.
Noite de Natal, é noite de luz que surge resplandecente, irrompendo neste mundo caos, minimizando pelo menos por algumas horas a escuridão social em que estamos metidos.
Parece que o mundo interiorizou as trevas e, no dizer de René Descartes (1596-1650 ) “os que se acostumam a andar em trevas debilitam tanto a agudeza da vista, que depois não podem suporta a plena LUZ” “Eu sou a LUZ do mundo. Quem me segue nunca andará em trevas” (João 8:12) disse, próprio Jesus, anos depois do seu nascimento.
Noite de Natal é, também, noite de dar presentes. Penso que, num mundo permeado de desigualdades, o melhor presente de Natal, quiçá, seria enfeitar a base da árvore da vida de cada ente, com reflexões que façam eco sobre nossas ações passadas e presentes; que depois da noite de Natal, antes mesmo do raiar do sol, possamos começar uma caminhada de volta em prol da dissipação total dessa situação prejudicial, desumana, avassaladora, acintosa ao homem e seu hábitat.
Estou entre aqueles que crêem que a sociedade, da qual faz parte toda coletividade, tem parcela de culpa no grande tributo da desgraça social em que estão metidos milhares de famílias, constituídas de pais desempregados e filhos, na maioria crianças e adolescentes, porquanto com fome, corrompidas por toda sorte de perversões. Provavelmente aí esteja a raiz da corrupção da raça humana. A maioria se corrompe porque com fome; outros por cavalar ganância.
Contudo, noite de Natal é o singular momento da família reunida Assim, não posso deixar de remeter os meus pensamentos para os dias idos da minha meninice. O Natal da minha infância não tinha coca-cola, nem luz elétrica; haviam poucos produtos industrializados, no entanto posso lembrar a família reunida até altas horas sob a luz dos candeeiros, afinal só as famílias mais abastadas possuíam “aladins.”
Ah, ia esquecendo: Havia PAZ nos nossos corações. Muita Paz!
Então, é Natal…Feliz Noite de Natal!!

 

* Gestor de Educação Superior / Humanista.
E-mail: assisprof@yahoo.com.br