Nossa Senhora Aparecida: 300 anos de bênçãos e de graças – Jornal A Gazeta

Nossa Senhora Aparecida: 300 anos de bênçãos e de graças

Querido(a) leitor(a) do jornal A GAZETA, Salve Maria! Hoje, feriado Nacional, dia dedicado a Virgem Maria, a Mãe de Deus, onde é invocada conforme a história do povo cristão, em locais e regiões as mais distintas. Mesmo aqui no Brasil, ela é chamada por muitos ‘nomes’. É quase automático nos lábios das pessoas, até de outros credos e denominações, diante do inesperado ou do mistério grande das coisas, a exclamação: “Minha Nossa Senhora”, “Virgem Maria”! ou “Nossa Senhora”!
Para o descrente ou apenas o racional, a exclamação pode simplesmente ser um reflexo religioso inconsciente… No entanto, é curioso e muito significativo, que culturalmente o povo brasileiro chame sempre pela “mãe”, por uma “mulher”… que a fé sabe ser uma “bendita entre as mulheres”, porque é “cheia de graça”!
No Brasil, ela ganhou as feições simples e humildes de seu povo. É simplesmente a “Aparecida”, porque surgiu das águas, nas redes de gente simples como ela, os pescadores do rio Paraíba – SP, há exatos 300 anos (1717 – 2017). A água escureceu sua imagem da argila, cor da terra. Apareceu negra, cabeça separada do corpo, que o homem colou e uniu. Outros sinais da identificação com o seu Filho e os seus irmãos: os renascidos da água e do espírito, membros do mesmo e único corpo, do qual o Cristo é a cabeça.
Também, hoje em nosso país, é a data onde lembramos com carinho das nossas crianças, de forma a avivar na opinião pública a consciência da necessidade de ser dada a mais vigilante e extensa proteção à maternidade, à infância e à adolescência, coisas que não temos visto nos últimos acontecimentos nacionais. É inegável que a liberdade de expressão é valor fundante de uma sociedade livre e democrática, todavia, há limites para tudo.
Com isso, antes dela ser “Aparecida”, já era a “Conceição”, aquela que concebe e dá à luz à própria Luz que veio a este mundo. Sabiamente diziam os Padres da Igreja que, primeiro Maria concebeu seu Filho na fé, crendo na Palavra que lhe foi anunciada e, por isso concebeu-O também no seu corpo. Tornou-se, então, o modelo e protótipo da Igreja, de todos os que, como ela, geram o Cristo pela fé.
E para São Francisco de Assis, como era sua relação com a Virgem Maria? Será que ela amava a Mãe do Senhor? Será que ela respeitava e amava a “cheia de graça”? E como membros pertencentes a Família Franciscana, queremos aprender a amar Nossa Senhora cada dia mais, e que nos responde é São Boaventura, recordando como Francisco se tornou homem evangélico seguindo o exemplo da advogada da Ordem, Santa Maria dos Anjos: “Portanto, quando morava na igreja da Virgem Mãe de Deus, seu servo Francisco insistia em contínuos gemidos junto daquela que concebeu o Verbo cheio de graça e de verdade, para que se dignasse tornar-se a sua advogada, e, pelos méritos da Mãe da misericórdia ele concebeu e deu à luz o espírito da verdade evangélica” (LM 3,1).
E ele recomendava aos seus seguidores a mesma coisa, ou seja, imitar as virtudes e atitudes de Maria como podemos confirmar na Carta aos fiéis: “Felizes e benditos os que assim perseveram, porque “sobre eles repousará o Espírito do Senhor” (Is 11,2) que neles fará morada (Jo 14,23). Estes são filhos do Pai celeste (Mt 5,45), fazem as obras do Pai, são esposos, irmãos e mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 12,50). Somos esposos, quando por virtude do Espírito Santo, a alma fiel se une a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos irmãos de Cristo, quando fazemos a “vontade do Pai que está nos céus” (Mt 12,50); e somos mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo (I Cor 6,20) por virtude do amor divino e de uma pura e sincera consciência; nós o geramos por uma vida santa, que deve brilhar como exemplo para os outros (Mt 5,16). (2Ctfi).
O amor de cavaleiro de Francisco por Maria certamente não é uma fantasia. Esta expressão, no entanto, é ambígua e pode levar a pensar numa devoção feita de “galanteios”, quando na realidade se trata de expressão de uma piedade caracterizada pela participação na alegria de Maria que, em sua pobreza, se torna solidária dos pobres para participar na obra da encarnação de Deus, cuja paternidade só pode ser fundamentalmente invocada por aqueles que se unem a Cristo, e a tudo o que ele fez para que pudéssemos vencer a desumanidade do que sofre e possibilitar o nascimento de uma nova humanidade sob a única soberania de Deus.
Para São Francisco, a grandeza e a importância de Maria está no fato dela ter feito Cristo nosso irmão e Salvador, dando-lhe a carne de nossa humanidade. Ele a vê sempre unida ao seu Filho. Por isso, a devoção a ela se faz na vida conforme o Evangelho. Francisco não só recorre à proteção de Maria, mas assume as atitudes dela frente a Deus, e como ela, concebe, gera e dá à luz à Palavra de Deus, dando-lhe vida e forma. É a fecundidade espiritual dos que, como Maria, geram o Cristo em suas vidas.
São Francisco, que celebramos no último dia 04 de outubro, despediu-se do Alverne dizendo: “adeus, Santa Maria dos Anjos do Alverne: – eu te recomendo estes meus filhos, ó Mãe do Verbo Eterno”. (Fioretti, ad. XX).
E hoje, às 17h00 no Ginásio do SESI, teremos Missa pelo Jubileu 300 anos de bênçãos, presidida por Dom Joaquín, Bispo da Diocese de Rio Branco e demais padres. E após a celebração, teremos shows com a Banda Vale Sagrado de Cruzeiro do Sul, e a atração nacional com a cantora Eliana Ribeiro da Comunidade Canção Nova – SP, organizado pela equipe de eventos Totus Tuus.
Enfim, que Nossa Senhora da Conceição Aparecida é aquela que deseja ver todos os seus filhos no caminho certo e nos livre de todas as amarras que os impedem de ver Jesus. Que ela interceda por todos os filhos e filhas do Brasil, de modo especial pelos da Amazônia! Dai-nos a bênção, oh mãe querida, Nossa Senhora Aparecida! Salve Maria. Paz e Bem.

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