O Acre por um cavalo branco

Postado em 08/01/2016 22:51:09

Todas as vezes que me perguntam se é verdadeira essa história do Acre ter sido trocado por um cavalo branco, eu sempre respondo: é verdade, mas é mentira. Eu sei que essa parece uma resposta estranha, mas vou explicar porque respondo assim.
É normal para os brasileiros que estudam ou trabalham na Bolívia ouvirem a história de que o Acre foi trocado por um cavalo branco. Essa história sempre soa de forma estranha pra gente porque aqui no Brasil não se conta e nem se conhece ao certo de onde saiu essa história. Mas, basta conversar um pouco com bolivianos pra descobrir de onde surgiu isso…
Dizem os bolivianos que, infelizmente para eles, tiveram, durante um longo período de sua história, um presidente louco chamado Mariano Melgarejo. Coube a esse presidente, ridicularizado por seu próprio povo, negociar com o Brasil a questão de limites entre os dois países no período da Guerra do Paraguai.
Isso era importante porque interessava ao governo brasileiro neutralizar qualquer possibilidade da Bolívia se unir ao Paraguai na guerra que estava sendo travada entre esse país e a coalizão formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Por isso, o governo brasileiro pressionado se propôs a rever o Tratado de Madri (1750) que, até então, definia a fronteira entre o Brasil e a Bolívia.
Entretanto, o cônsul brasileiro na Bolívia (Regino Correa) conhecendo a imensa vaidade e a paixão do presidente Mariano Melgarejo por cavalos, antes mesmo de iniciar as negociações, condecorou “El Loco Melgarejo” com uma medalha de honra e lhe presenteou com um casal de lindos cavalos brancos de raça. Contam que o presidente boliviano ficou tão feliz com o presente recebido que, na hora da negociação do novo tratado de limites, deu de presente para o Brasil dois dedos de terra marcados no mapa, uma vez que se tratavam mesmo de terras despovoadas. Com isso a linha divisória que desde 1750 era reta, passou a ser obliqua dando origem à linha imaginária mais tarde denominada “Linha Cunha Gomes”.
Porém, essas terras ao norte da linha obliqua Cunha Gomes nunca fizeram parte do território acreano. Mas, desde o Tratado de Ayacucho (1867), essas terras passaram a fazer parte do Estado do Amazonas. Sendo que as nossas terras, ao sul da linha Cunha Gomes, foram conquistadas pela luta dos brasileiros do Acre durante a Revolução Acreana e foram legalmente anexadas ao Brasil através do Tratado de Petrópolis (1903), assinado com a Bolívia, e do Tratado do Rio de Janeiro (1909), assinado com o Peru. Ou seja, a história de receber terras da Bolívia por um cavalo branco é verdade, mas é mentira porque essas terras não são do Acre.
E se ainda existe alguma duvida que a história boliviana é capaz de gerar acontecimentos como esse. Vejam outra historinha do mesmo personagem que Eduardo Galeano publicou em diversos jornais de língua espanhola:
“Por volta de 1870, um diplomata inglês sofreu, na Bolívia, um desagradável incidente. O ditador Mariano Melgarejo lhe ofereceu uma taça de chicha, uma bebida nacional feita de raiz fermentada; o diplomata agradeceu, mas disse que preferia chocolate. Melgarejo, com sua habitual delicadeza, obrigou-o a beber uma enorme tigela quente de chocolate e depois o fez passear em um burro, montado ao contrário, pelas ruas de La Paz. Quando a rainha Victória, em Londres, tomou conhecimento do assunto, mandou trazer um mapa, colocou uma cruz de tinta sobre o país e sentenciou: ‘A Bolívia não existe!’.
Várias vezes ouvi esta história. Ocorreu assim? Pode ser que sim, pode ser que não.
Mas a frase, atribuída à arrogância imperial, se pode ler também como uma involuntária síntese da atormentada história do povo boliviano. A tragédia se repete, girando como um peão: há cinco séculos, a fabulosa riqueza da Bolívia amaldiçoa os bolivia-nos, que são os pobres mais pobres da América do Sul. ‘A Bolívia não existe’: não existe para seus filhos”.
(Trecho do artigo “El país que quiere existir”, de Eduardo Galeano, que foi publicado originalmente nos jornais Página 12 – Argentina, El Mundo – Espanha e Bolpress – Bolívia)

Marcos Vinicius Neves

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