Jornal A Gazeta

O cavalo falante

A idéia de que homem caminha rumo ao pior é antiga. Blaise Pascal (1623-1662),por exemplo, dizia que todos se queixam: príncipes, súditos; nobres, plebeus; velhos, jovens; forte, fracos; sábios, ignorantes; sãos, doentes; de todos os países, de todas as épocas, de todas as idades e de todas as condições.
Atualmente, o astrofísico inglês Stefhen Hawking, o mais célebre cientista desde Albert Einstein, antevê um destino sombrio para a humanidade. Essa visão pessimista para o futuro da humanidade, de Hawking, encontra mais respaldo na filosofia que no pensamento de cientistas. A filosofia, com sua visão universal, através de seus mais ilustres representantes, têm nos alertado para realidade tão assustadora; estes fatos não podem passar despercebidos, sob pena de se viver fora da realidade. Alguns de nossos maiores pensadores concordam, em particular, que já ultrapassamos o ponto crítico. A maioria dos que se dedicam a pensar e olhar os problemas que afligem o homem (técnicos, analistas, historiadores, cientistas, filósofos, sociólogos, teólogos e estadistas) concorda que o homem está doente. O perfil do mundo moderno tem contornos dramáticos, assustador sob todos os aspectos e que consegue chocar a todos, inclusive o escrevinhador aqui, apesar de haver um pensamento geral de que os filósofos e teólogos não devem se assustar ou ficar perplexos com nada que aconteça abaixo do céu.
A “coisa” está tão feia que se fosse feito um plebiscito sobre a violência no Brasil, 80% dos brasileiros, com certeza, optariam pela pena de morte. O crime está aumentado com tal rapidez que nos encontramos agora bem perto da rebelião aberta e da anarquia. Em algumas regiões as pessoas vivem numa atmosfera de medo e pavor, enquanto isso desaba os alicerces morais da nação. Desordens públicas, demonstrações e revoluções ocorrem em vários pontos do planeta, quase todos os dias. O povo, sob a pecha de “categorias” para conseguir o que deseja se habituou a fazer greves, sentadas, de pé, e manifestações públicas. A liberdade tornou-se licenciosidade. A lei moral está em perigo de ser abandonada até pelos tribunais. As ruas de nossas cidades se transformaram em selvas de terrorismo, assaltos, estupros e morte. Uma perturbação social sem fim.
Nós estamos numa vacuidade existencial, na qual procuramos “o enredo da falta” com desespero, mas poucos parecem estar encontrando. Na verdade essa busca aleatória e confusa nada mais é do que substituir ou pura e simplesmente, trocar de “valores” sem, contudo encontrar a paz. É à busca de soluções imediatas (pragmáticas) em detrimento da verdadeira tranqüilidade pública. Se o quadro é este, onde encontrar otimismo para encarar o ano de 2018 que se inicia? Onde estão as gotas de esperança?
Talvez a fábula a seguir nos ajude a melhor compreender a raça humana. Conta-se que num reino, desses muitos que existem por aí, um mágico da corte, que não obtinha mais o favor do rei, foi sentenciado à pena de morte. Ao saber que seria decapitado, o mágico enviou uma carta ao rei. “Oh! Rei, poupe a minha vida por um ano e eu ensinarei seu cavalo a falar. Se eu fracassar, alegremente aceitarei minha decapitação, se tiver sucesso ganharei minha liberdade”. O rei concordou com o repto do mágico e o destinou a passar o próximo ano trancafiado no estábulo real.
Um nobre que tinha simpatia pelo mágico, certo dia, esgueirou-se na cela do inditoso e sussurrou: “Você é um grande idiota. Você bem sabe que não pode fazer um cavalo falar.”
O mágico respondeu: “Ganhei um ano. Muitas coisas podem acontecer em um ano. O rei pode morrer, eu posso morrer: Talvez, muito talvez, este ano um cavalo possa falar!”
Pois é, leitor de A GAZETA, ganhamos um novo ano. Além, das promessas eleitoreiras, muitas coisas podem acontecer neste ano novo, até mesmo cavalo falar ou, quem sabe, voar.

 

*Diretor Geral da Sinal Faculdade/Procurador Institucional junto ao MEC.
e-mail:assisprof@yahoo.com.br