O CONVITE

Postado em 31/10/2016 23:46:48 Onides Bonaccorsi Queiroz

Resolveram se casar. A cerimônia seria à tarde, ao ar livre. Prenúncio de frescor e flores. Os amigos recebemos o convite, graciosa peça artesanal, e lá estava a inquietante coordenada: “Traje: lindo”.

Mas que ideia genial! Ao longo de dias, eu não conseguia parar de pensar nela, em tudo o que esses noivos estavam querendo dizer e em tudo o que poderia significar. E, na construção do meu entendimento, as entrelinhas da proposta fui traduzindo mais ou menos como segue.

“Venha lindo – ou linda. Isto é: venha como você se sente lindo. Não há certo, não há errado, há a sua originalidade, que não é um defeito, é um grande valor. Nós incentivamos, compreendemos e acolheremos o seu conceito de lindeza. Traga-o para que a gente o desfrute juntos.

Você não precisa comprar uma roupa nova, se não quiser ou não puder. Não precisa de salto alto, não precisa de gravata – mas pode usar tudo isso caso deseje. Sem se esquecer de fazer-se belo para além do traje. Com leveza, humor e seus bons desejos.

Saiba que para nós a beleza não é tabu. Nós falamos dela, nós gostamos dela. Nós não nos constrangeremos por sermos ou estarmos bonitos ou por presenciarmos o seu encanto.

‘Venha lindo’ é um convite à liberdade de se produzir como quiser, mas não estamos dizendo ‘venha de qualquer jeito’. Porque não se trata de uma ocasião qualquer. É um momento especial, é uma festa que temos preparado ao longo de semanas e meses, é um compromisso de união que estaremos selando e queremos que você o testemunhe, com a potencialidade de formosura que há em você. Por isso pedimos que esteja à altura, por favor. Para a alegria de todos nós.”
Perante possibilidade tão inovadora, os convidados sentimo-nos agradavelmente instigados e começamos a imaginar como nos apresentaríamos ao evento, trocando impressões e sugestões.

E eis que, no esperado dia, surgiram inusitadas cores, fitas e flores, transparências, brilhos e elegâncias insuspeitas, entre homens, mulheres e crianças. Com que satisfação contemplamo-nos uns aos outros! Irmanados pela liberdade de ser, parecíamos sustentar um sonoro “eu posso, você pode”. O que nos tornava autenticamente garbosos. E houve espaço para tudo, até para os que só conseguiram se achar apreciáveis do jeito mais convencional.

Diante de tão sensível transformação, fiquei admirada de como aquelas duas palavras impressas no papel puderam mover tanto a consciência das pessoas, seu modo de compreender a realidade.

E me ocorreu que, se num estrato tão superficial do cotidiano, como a escolha da vestimenta, costumamos abrir mão de ser, de pensar e de sentir, que dirá em todo o resto! No subjetivo. No invisível. De quantas alegrias nos privamos para cumprir as convenções mais tolas? A ocasião ensinou, a quem pôde aprender, que a vida não precisa ser estreita, previsível e entediante.
Lindos, todos confraternizamos e celebramos aquelas inesquecíveis bodas.

Onides Bonaccorsi Queiroz

editorial

A questão está posta

 

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