O preço de ser profissional

Postado em 14/09/2016 23:02:22 Bruna Lopes

Um profissional se capacita nos bancos das faculdades e universidades. Até aí, acredita-se que tenha um caráter formado e de preferência idôneo. Após quatro ou cinco anos aprendendo na teoria o mercado de trabalho, novas tendências e ética, teoricamente, o profissional está formado e pronto para enfrentar a concorrência, pressão e gerenciamento de crise.

Aí vem a temida e aguardada entrada para o mercado de trabalho. Com todas as dificuldades e engessado por si só. Paralelo a isso, você lida com seus demônios, afinal, crescer profissionalmente não é fácil, imagina pessoalmente?! É um processo doloroso que requer bastante atenção e disciplina.
Enquanto você aprende a lidar com as escolhas pessoais, no ambiente de trabalho, todos os dias, é necessário mostrar um sorriso, um salto alto, educação de primeira e de novo profissionalismo.

Aos poucos, os números mostram crescimento e comprovam que o seu trabalho está no caminho certo. A quantidade de demanda aumenta exponencialmente e você crê que seja uma espécie de reconhecimento dos patrões. Ledo engano.

Nessa situação, o profissional precisa se apegar a alguma coisa para encarar uma agenda às 8h sendo que ficou até as 3 da madrugada fazendo e corrigindo textos, produzindo relatórios, criando campanhas ou estratégias para os patrões.

“Eles confiam na gente. Estamos fazendo um trabalho. Vamos aguentar”, essas são as frases faladas, escritas e pensadas numa espécie de mantra para encarar as ironias, cobranças e falta de humildade de alguns que queriam mandar mais que o chefe maior. Mas, quem nunca passou por isso na vida no campo profissional?
Realidade que trouxe benefícios para a intelectualidade desse ser humano, além de experiências fantásticas. Mas, ao mesmo tempo, provocou uma queda na qualidade de vida, acabou o tempo com a família e amigos. Aquela série tão amada, você consegue assistir um episódio na semana e passa outras duas sem ver, porque qualquer tempinho livre, dormir é o melhor programa.

Tempos depois, o trabalho ganha corpo, credibilidade e reconhecimento dos profissionais da mesma área, enquanto isso, os patrões nem tchum!
Fim da história. Apesar de todos os esforços possíveis e impossíveis, o trabalho foi criticado, menosprezado e engavetado por quem não sabe escrever uma receita de bolo de caixinha, mas que tem o poder nas mãos.

Moral da história? Não espere reconhecimento por parte de ninguém. Porque se ele não vier, pelo menos você cresceu como profissional. E isso, nunca nem ninguém pode tirar de você.

Bruna Lopes é jornalista
jornalistabrunalopes@gmail.com

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