Jornal A Gazeta

“O verdadeiro sentido do Natal”

A cada ano novo é notório que o mundo, o cristão inclusive, perde o verdadeiro sentido do Natal. Pelo menos, essa é, de fato, na minha ótica estrábica, o que eu tenho testemunhado com o passar dos anos.
Além, muito além mesmo, do nascimento de Jesus, há 21 séculos, em Belém Efrata, num humilde estábulo, dentro dum tabuleiro em que se põe comida para os animais nas estrebarias, temos sua missão; o verdadeiro sentido do seu nascimento!
O Natal de Jesus é a decorrência de toda a história da humanidade, pois em vista desse dia sem igual, tudo foi concebido e criado, é o que nos diz o apóstolo São Paulo em sua epístola aos Efésios (1.3-10). Fora de Jesus Cristo, diria Pascal, não sabemos o que é a vida, o que é a morte, nem o que é Deus, nem o que somos nós mesmos.
O Natal desse menino pobre de Nazaré não é uma mera ilusão. O Natal transcende toda e qualquer falsa esperança e a tudo o que é passageiro, excede até mesmo ao generoso, gordo, bonachão e barbudo Papai Noel, visto que o Natal se radicaliza em Jesus Cristo, a verdadeira esperança de um novo amanhecer.
Na essência o menino Jesus foi um enviado especial que trouxe aos homens, uma mensagem de fé redentora, bem como de compaixão e amor pelo próximo. Essa postura de compaixão de Jesus pelos pobres e necessitados, se radicaliza no ministério do homem Jesus, agora Cristo. Assim, das Sagradas Escrituras, extraímos muitas e belas lições, deixadas a nós, homens de qualquer tempo ou épocas. Mensagem de Paz!
Hoje, de forma contraditória, apesar de tantos anos de aprendizado, os homens continuam tão ou mais cruéis, em relação ao seu próximo, do que os bárbaros mongóis medievais, que sem dó nem piedade e fúria pertinaz, matavam, destruíam e saqueavam sem misericórdia. Estamos criando um sistema maligno que tende a nos escravizar perpetuamente. Somos lobos uns dos outros, resultado duma atitude egoísta e fator responsável pelas guerras, pelos conflitos e situações prejudiciais a todos.
Ademais, o sentido da missão de Jesus Cristo e o método que usou foram inaceitáveis para seus contemporâneos e parece que ainda é, hoje, para alguns “cristãos” do presente século, ávidos por poder terreno e riquezas; suas palavras provocaram ira e oposição. Foram aos pobres, as vítimas da sociedade, aos débeis, abandonados e explorados pelos poderosos e aos marginalizados, a quem Jesus dirigiu primeiramente seu ministério. Jesus Cristo sempre se mostrou ao lado dos pobres, pois a pobreza não é uma virtude, mas desafio à justiça Divina. Sua presença em meio aos humildes foi à presença de um pobre entre os pobres. Foi um cidadão pobre numa província pobre do tributário Império Romano. O “proletário de Nazaré” identificou-se primeiramente com o povo e depois o confrontou com a visão do Reino. Suas referências, ilustrações e linguagem correspondem ao estilo de vida das classes mais simples da sociedade.
O verdadeiro sentido do Natal, nos dias atuais, perde sua essência, notadamente em HUMILDADE, pois, como se sabe Jesus era tão humilde, que o povo da cidade de Nazaré não aceitou que alguém com uma origem tão paupérrima pudesse ser o Messias. A cidade ficou ofendida com ele; rejeitou e se escandalizou com a idéia de Jesus, o carpinteiro, afirmar ser o ungido de Deus. Alguns perguntaram: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?”.
Felizmente, há um povo com representação nos quadrantes da Terra: pessoas humildes que se vivem o verdadeiro sentido do Natal; pessoas livres do alcance das vazias promessas do poder terreno; um povo cristão de boa vontade que reparte, com os desfavorecidos, o que tem amealhado ao longo dos quase 365 dias…dias de sobrevivência, neste ano de 2017.

“Fora de Jesus Cristo, diria Pascal, não sabemos o que é a vida, o que é a morte, nem o que é Deus, nem o que somos nós mesmos”