Onde aprendemos a criar um filho? – Jornal A Gazeta

Onde aprendemos a criar um filho?

As teorias escritas, vividas e relidas a respeito de ter um filho são as mais sólidas e sagradas possíveis. Toda a pieguise sobre o assunto deve ser ridiculamente perdoada, já que a noção de amor que se tem com o nascimento de uma criança perpassa qualquer atitude e se torna, de fato, um sentimento.

É possível afirmar que, de um modo geral, esse sentimento grandioso não mudou com o passar dos tempos, mas a forma de educar uma criança exige agora uma lógica diferente, uma compreensão mais apurada dos sujeitos que nascem hoje e de pais que migraram de um tempo de rigidez extrema para um de liberalismo e muitos sins. Não é fácil ser pai e mãe desses pequenos de “chip novo” e também não deve ser fácil ser uma criança tão emancipada e parte do cenário “moderno”. O grande desafio dessa relação é viver nessa fronteira muita tênue entre ser aquele que educa e impõe limites necessários e aquele que educa, mas é amigo e aberto a compreender essa mente tão acelerada.

Educar uma criança que é portariada com sagacidade, intuição, espontaneidade, imaginação e inteligência social cavalares é tarefa das mais difíceis, uma vez que não há formação ou treinamento para isso e muitas vezes nem é possível saber qual o próximo passo dessas mentes brilhantes. Sobre não sermos mestres em educar crianças desse novo século é compreensível, porém não o é ver pais julgando pais quando algo sai errado, não é de se entender que a sociedade julgue a si mesma quando os seus próprios filhos, crias de suas próprias mazelas e falsa globalização, não se enquadram naquele planejamento seguro feito para eles.

Onde se aprende a criar um filho que não erra? Onde há esse planejamento estratégico para criar filhos? Onde cada pai e mãe pode ir quando não sabe que resposta dar a um filho? Onde desliga a imaginação de cada criança? E o mais intrigante: onde apagamos o julgamento dos que, embora com as mesmas perguntas, se acham no direito de mostrar o dedo para seus pares? Talvez uma sociedade mais receptiva e irmanada possibilite a descoberta dessas respostas.

Quem sabe, as próprias crianças e jovens possam nos ensinar em meio à rotina frenética de competir com o resto do mundo em sua criação, como olhar para eles de forma devagar e sensível. Não devemos prescindir de formar bons cidadãos para o mundo, pois este é cruel, sádico, impiedoso, fugaz, desumano, porém, é formado pelos próprios sujeitos que se queixam disso.

Nayra Claudinne Guedes Menezes Colombo é professora, servidora pública, mestre em Letras.
E-mail: nayracolombo@hotmail.com

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